Boas Práticas
A Rede de Banco Comunitários possui experiências inovadoras que ajudam as comunidades a se protegerem e se desenvolverem solidária e coletivamente reforçando a confiança entre a comunidade e na moeda social. São boas práticas que merecem ser conhecidas e servirem de exemplo para ser levado por outras comunidades. Existem também trabalhos acadêmicos que analisam as diversas experiências para ajudar a entender o fenômeno dos Bancos Comunitários como para ajudar a encontrar novos caminhos Veja alguns exemplos:
No encontro a Rede apresentou os projetos de banco comunitário, finanças solidárias e energia solar solidária
Na região do Parque do Estado, na zonal sul de São Paulo, mais de 1500 residências foram construídas através da luta popular. Desde 1980 a Associação dos Movimentos de Moradia da Região Sudeste organiza a população pelo direito à moradia digna. A Rede Paulista de Bancos Comunitários veio apresentar à entidade o que pode ser mais um ganho: a criação de comunidades urbanas solares, com a instalação de painéis fotovoltaicos coletivos, que podem incrementar a qualidade de vida dos moradores.

“Viemos trocar experiências e começar uma conversa sobre a possibilidade de implantação de painéis solares tanto nos condomínios, quanto em outras casas que existem na região e estão ligados ao movimento de moradia”, explica Hamilton Rocha, da coordenação executiva da Rede Paulista.
A coordenadora-geral do Movimento de Moradia da Região Sudeste, Graça Xavier, afirma que há tempos o grupo debate os impactos das mudanças climáticas e essa reunião foi para entender e compreender esse trabalho da Rede Paulista. “O custo de energia é muito caro para as famílias, né? Tem famílias que às vezes não conseguem pagar a conta de luz, ou paga a conta de luz ou compra comida. Então, se a gente tem uma forma de conseguir um projeto que a conta de luz vai baratear, é importante não só implementar a energia solar, mas também que essas famílias comecem a entender e compreender a importância da energia na vida dessas pessoas.”

O objetivo proposto pelos Bancos Comunitários é que os moradores atuem coletivamente para adquirir e instalar as placas solares. Neste sentido, Bruna Lopes Bispo, coordenadora de projetos do Instituto Polis, que estava no encontro, concorda que a energia solar seja de qualidade, justa e inclusiva. “E quando a gente fala disso tudo, a gente tá falando de comunidades, né? Quando a gente fala de comunidades, não tem como a gente não falar do coletivo e trazer o coletivo pra pauta (…) pra gente é muito mais do que instalar placas solares, a gente tem um viés muito de transformar.”

Na região o Movimento já construiu aproximadamente 1.500 unidades habitacionais, 60 na área central, 120 no Cambuci e em breve vai entregar 160 apartamentos, também na zona Sul. “Então, juntando tudo isso, vai para quase 2.000 unidades habitacionais, ou seja, mais de 2.000 famílias sendo beneficiadas direto e através das parcerias com os movimentos populares”, contabiliza Graça Xavier. Essa grande quantidade de imóveis e mais a capacidade de mobilização se encaixam com os objetivos da Rede. “ A gente observou que esses condomínios, essas casas, podem gerar muita energia solar. E o bom disso é que eles estão acostumados com um trabalho de financiamento coletivo, porque eles fizeram isso tanto para a questão das moradias que eles moram hoje, como para a manutenção de condomínios. Existe uma consciência de que a luta coletiva pode trazer benefício. Então, dentro do nosso projeto, essa ideia de trabalho coletivo também para a energia solar é uma grande oportunidade para beneficiar muitas famílias aqui na região”, diz Hamilton Rocha.

Quando se olha para os telhados, geralmente as placas fotovoltaicas estão instaladas em uma casa ou empresa, para benefício individual. A ideia da Rede Paulista é que os equipamentos sejam adquiridos coletivamente para que os benefícios sejam compartilhados por mais famílias. Graça comenta que gostou da possibilidade de “colocar as placas solares em um lugar, mas que o benefício dessa energia pode ser convertida para outras casas, para outras famílias. Esse trabalho mais coletivo, é justamente o que vai fazer total diferença no trabalho que a gente já desenvolve, porque a gente nunca pensa nada em individual e sim em coletivo, desde o acesso à energia, o acesso à água, o acesso às políticas públicas. Então, isso só vem a agregar aquilo que a gente já está fazendo na comunidade.”
O fato de os moradores da região já estarem organizados é um facilitador para o projeto, explica Hamilton. “Esse movimento de moradia é antigo e as lideranças são experientes em trabalhar coletivamente. Isso é um passo, acelera o processo para a gente poder organizar a implantação da nossa política de energia solar solidária.”

Próximos passos
Após essa encontro, o Movimento de Moradia pretende reunir os moradores para explicar a ideia das finanças solidárias e da energia solar comunitária e como elas podem beneficiar a comunidade. “Não vejo a hora de dialogar com as famílias, conseguir explicar para elas passo a passo, que a energia solar, as placas solares vão beneficiar não só uma família, mas a própria comunidade.”

A Rede Paulista pretende fazer um seminário com os moradores para explicar melhor a ideia e, quem sabe, iniciar um projeto de implantação do primeiro grupo de painéis solares na própria sede da Associação ou em algum condomínio escolhido. O objetivo é mostrar para os demais que o projeto é viável e acessível economicamente. “O potencial para sair um empreendimento é grande, primeiro por simpatia das lideranças pelo projeto e, segundo, porque as pessoas já aqui pagam conta de luz. Então, em vez de pagar para a companhia elétrica, elas vão pagar para o seu próprio projeto de energia. Então, isso facilita bastante o trabalho”, diz Hamilton.
Associação dos Movimentos de Moradia da Região Sudeste

A Associação dos Movimentos de Moradia da Região Sudeste é uma entidade que articula 10 movimentos de moradia na região Sudeste, compreendendo os bairros, Jardim Clímax, Pq. Bristol, Água Funda, Vila Mariana, Vila Livieiro, Ipiranga, Jabaquara, Vila Arapuá, Jardim Maristela e Vila Moraes.
A entidade nasceu com as articulações da Pastoral de Favelas da Região Episcopal Ipiranga, a partir de 1980, com o objetivo de organizar, mobilizar os movimentos de moradia, lutar pelo direito à moradia, por reforma urbana e autogestão e, assim, resgatar a esperança do povo rumo a uma sociedade igualitária e sem exclusão social.
O Movimento defende a autogestão, o direito à moradia e à cidade e a participação popular nas políticas públicas. As reivindicações e propostas são dirigidas ao poder público nas três esferas de governo – municipal, estadual e federal. Ao longo da existência, o Movimento enfrentou e trabalhou com diferentes gestões, sempre buscando a negociação e a ações propositivas, sem deixar de lado as ferramentas de luta e pressão do movimento popular.
Rede Paulista de Bancos Comunitários

É uma entidade sem fins lucrativos que atua com o objetivo de articular, promover, formar e trocar experiências no setor de finanças solidárias, visando o fortalecimento e a expansão dos Bancos Comunitários de Desenvolvimento Local. Desde o início de 2023 a Rede Paulista também têm se dedicado à energia solar solidária como forma de melhorar a formação profissional e a qualidade de vida das comunidades.
A Rede foi criada em 2020 a partir da articulação de Bancos Comunitários já existentes e de organizações sociais interessados em construir e fortalecer Bancos Comunitários, espalhados em bairros e comunidades no Estado de São Paulo.
Entre os objetivos estão:
- Formação continuada na área de educação financeira;
- Desenvolvimento e fortalecimento, com transparência, de moeda social eletrônica;
- Desenvolvimento de modelo de empreendimento cooperativo e solidário em diversos setores;
- Construção de redes e cadeias produtivas de valor agregado a partir de empreendimentos solidários estratégicos em cada comunidade.
- Fomento, criação e expansão de Bancos Comunitários no Estado;
- Incentivo a formação, articulação e troca de conhecimento nos territórios.
Intersolar South America é a maior feira e congresso da América Latina para o setor solar
Mais de 680 empresas do setor de energia solar, armazenamento de energia, mobilidade eletrificada e gestão de energia participaram da Intersolar 2026, que aconteceu no Expo Center Norte, em São Paulo, entre os dias 25 e 27 de agosto.

Além das placas solares, neste ano tiveram destaque as baterias, desde as pequenas até as de grande capacidade de armazenamento, além dos equipamentos híbridos. O setor de geração de energia solar distribuída (quando o próprio consumidor gera sua eletricidade nos telhados de residências e comércios — ou por meio de miniusinas comunitárias, que atendem a mais de uma família) tem previsão de crescimento de 15% na potência instalada neste ano. Apesar da forte expansão, apenas cerca de 8% das unidades consumidoras (4,7 milhões) instalaram painéis fotovoltaicos, atendendo cerca de sete milhões de residências, indicando que mais de 90% do mercado potencial ainda não possui a tecnologia.
Na feira também ganharam destaque as estações de recarga de veículos. No Brasil, o mercado de carros elétricos cresceu 125% no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano passado e chama bastante a atenção das fabricantes.

Intersolar abriu espaço para o terceiro setor
Diversas ONGs (organizações não governamentais) ganharam estande na feira e essa é a terceira participação da Rede Paulista de Bancos Comunitários no evento. Além de trabalhar com finanças solidárias, a Rede também atua na implantação de energia solar em comunidades. “Desde o começo da nossa fundação, nós priorizamos a energia solar e a energia elétrica, de alguma maneira, como uma questão estratégica para dar dignidade para as pessoas nas comunidades em situação de vulnerabilidade social. Então, uma das estratégias que nós batalhamos é dar formação e dar recursos financeiros, através dos créditos, dos fundos rotativos e dos bancos comunitários, para financiar a compra de microusinas solares para implantar nas comunidades”, explica Hamilton Rocha, coordenador-executivo da entidade.

São dois os objetivos da Rede em participar da Intersolar:
- Fazer articulação com fornecedores, instituições e associações que queiram ajudar o projeto;
- Trazer as comunidades e alunos que participaram dos cursos para mostrar o tamanho da feira, os produtos e os serviços, para que todos conheçam as novidades e a cadeia produtiva do setor solar.
O eletricista André Ribeiro do Couto visitou o estande para entender essa relação entre a Rede Paulista de Bancos Comunitários e a energia solar. Para ele, acreditar numa iniciativa social (como a proposta pela Rede) pode gerar economia na conta de luz e, consequentemente, ganhos financeiros. Com mais dinheiro, pode-se melhorar a qualidade de vida, adquirir alimentos mais saudáveis e até substituir aparelhos antigos por eletroeletrônicos mais modernos e econômicos.
André gostou da ideia de que o investimento em microusinas seja feito coletivamente. “A partir do momento que nós moramos num país que tem uma incidência de sol tão grande e pouco é captado hoje em dia no nosso sistema, eu acho que essa ideia é maravilhosa e tem que ser difundida para todo e qualquer canto deste país, para que todos possam aderir e se beneficiar dessa fonte natural de energia… Eu acho que a gente é capaz, sim, de gerir o próprio recurso local onde nós vivemos. É uma questão de acreditar, botar fé e trabalhar em cima dessa ideia, que essa é a solução. O custo cai porque você vai conseguir gerar renda através dessa economia. Onde você gasta muito, você pode economizar e transformar isso em ganho, né?”, diz o eletricista.

Buscas na internet aumentam
Por causa dos custos da eletricidade, a busca na internet pelo termo “energia solar” teve crescimento de quase 53% no Google no Brasil e houve aumento de 46% nas buscas de preços de sistemas fotovoltaicos, diz levantamento da Bulbe, empresa do setor de energia solar. Isso mostra que o brasileiro está interessado em alternativas para baratear ou zerar a conta de luz.
Neste cenário, a Intersolar se firma como referência no setor fotovoltaico. Rodrigo Lopes Sauaia, Diretor Executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) e Presidente do Congresso Intersolar South America, diz que “o Congresso Intersolar continua a desempenhar um papel central na conversa sobre o futuro da energia solar no Brasil e na América Latina. Ele combina informações de mercado de alto nível, contatos estratégicos e oportunidades valiosas de negócios para empresas atuantes em todo o continente”.

Parceira da Rede Paulista, a DGRV – Confederação das Cooperativas Alemãs considera que a presença da Rede na Intersolar é importante na difusão da ideia de energia solar solidária. “A gente tem um desafio muito grande de realizar a transição energética no país, e realizar essa transição energética de maneira inclusiva, né? Para que todos possam se beneficiar dessa energia renovável e, com isso, beneficiar também a comunidade onde estão inseridos. E, para isso, a presença do banco comunitário é essencial para dar o suporte financeiro para que isso aconteça e possa ser replicado em outros lugares. Então, essa parceria da DGRV com a Rede Paulista de Bancos Comunitários é fundamental para que a gente garanta o acesso a essa tecnologia — ou seja, a comunidade que mais precisa, que está lá mais carente, tendo acesso e participando da transição energética no país”, diz Marco Olívio Morato de Oliveira, consultor de energia da DGRV.

Alunos compareceram
Nestes três dias, visitaram a feira diversos alunos dos cursos de noções sobre energia solar realizados pela Rede Paulista em parceria com o Instituto Federal-SP, a DGRV e o CERSA (Comitê de Energias Renováveis do Semiárido). A produtora de eventos Idiana Aparecida de Oliveira esteve na Intersolar e gostou de ver tanta coisa no mesmo espaço: “É bem amplo, tem bastantes novidades nessa área fotovoltaica, de baterias, de carros elétricos e de sistemas híbridos. É uma área que está em expansão, ainda mais agora com a questão da sustentabilidade.” Ela acredita que o trabalho da Rede Paulista de Bancos Comunitários possibilita o financiamento de uma microusina fotovoltaica com pequeníssima taxa de juros, o que ajuda bastante as pessoas de renda mais baixa.

“Eu vi na prática como funcionam alguns equipamentos — como, por exemplo, alguns que fazem a rotação de acordo com o sol, tendo um aproveitamento energético maior. Tem aqueles que são colocados de forma fixa, mas mais altos, então dá para aproveitar a parte de baixo e plantar alguma coisa… Então eu vejo (a energia solar) como uma oportunidade de negócio: a pessoa vai ter um investimento inicial, mas depois terá uma economia de energia”, acredita Eliana Tenório do Carmo, analista ambiental.

O coordenador-executivo da Rede afirma que as visitas são muito produtivas porque as pessoas aprendem de tudo e conhecem as inovações do setor. “Quando a gente circula pela feira e mostra os estandes, todos os equipamentos, os serviços e as experiências que as pessoas têm, isso enriquece muito quem comparece. Para nós, em particular, que fomentamos a auto-organização, a organização solidária, cooperativa ou coletiva, temos visto que aumenta o número de organizações e mesmo de pessoas interessadas em fomentar a energia solar, por exemplo, através de organizações cooperativas. Então, é algo muito interessante; enriquece muito quem participa da feira no sentido de voltar para casa com muito mais informação e vontade não só de instalar a placa solar, mas também de se auto-organizar para isso.”
Balanço da Rede na Intersolar

Hamilton comenta que a receptividade no estande foi muito boa e que houve excelentes contatos com empresas e entidades. “A gente visitou empresários que têm interesse em fazer parcerias para atuar nas comunidades, no setor de instalação, os integradores, cooperativas que têm usinas solares e o pessoal que está propondo energia solar por assinatura. Muita gente está procurando parceria, gosta do trabalho que nós fazemos nas comunidades e quer evoluir. Até gente que quer montar banco comunitário na sua cidade apareceu.” A Rede Paulista de Bancos Comunitários espera continuar na Intersolar nos próximos anos para que “a feira seja um marco para aumentar a implantação de unidades solares nas comunidades e que, efetivamente, as populações em situação de vulnerabilidade tenham acesso a essa tecnologia para melhorar a condição de vida.”
O curso encerrou-se com sucesso. Foram três aulas online, duas presenciais e visitas a uma empresa do setor de energia solar e ao laboratório de Energia Solar Fotovoltaica, no IFSP campus Guarulhos
Através do curso, a analista ambiental Eliana Tenório do Carmo (que se inscreveu pelo campus Cotia do Instituto Federal SP) compreendeu que a união de um grupo para montar uma miniusina solar é fundamental “porque, se uma pessoa não consegue adquirir uma placa solar sozinha, ela consegue se juntar com outras pessoas e pode investir num conjunto de placas. Quanto maior for a quantidade de pessoas que investirem juntas, mais elas vão conseguir ter” disse.

Ela gostou do curso: “aprender sobre energia solar e aprofundar esses conhecimentos era uma coisa que eu estava buscando. Então, no primeiro momento que eu vi a inscrição, eu já não pensei duas vezes, me inscrevi. E adorei, tanto a estrutura quanto os professores, a dinâmica, o ensino… E por ser voltado para a comunidade, de ser voltado para essa parte social que eu gosto bastante, então eu acho melhor ainda, né?”, complementou Eliana.

Na quarta-feira, dia 29 de julho de 2026, encerrou-se o 9º. Curso de Noções em Energia Solar Solidária, realizado pela Rede Paulista de Bancos Comunitários em parceria com o Instituto Federal, DGRV (Confederação das Cooperativas da Alemanha) e CERSA (Comitê de Energias Renováveis do Semiárido). Cerca de 170 pessoas se inscreveram para as aulas, que empolgou alunos, educadores, empresas e parceiros, mobilizou lideranças comunitárias de várias partes do Estado e exibiu uma ampla diversidade social, demonstrando que a Energia Solar, combinada com as Finanças Solidárias, começa a gerar interesse em diferentes camadas da sociedade.

Luís Henrique Paiva é contador e veio através do campus Franco da Rocha. Pra ele, a ideia da energia solar coletiva é inovadora. ”Quando a gente fala na energia solar em comum, em conjunto com a comunidade, a gente consegue apropriar um pouco dessa energia da natureza e compartilhar com a própria comunidade, diminuindo o valor da conta e da própria aquisição dos equipamentos. Então, acho que fica muito mais interessante essa avaliação , esse projeto e esse trabalho que podemos fazer com a energia solar.”
O estudante Ailton Ferreira Amorim também ficou interessado na difusão da ideia de uma ação coletiva em prol das miniusinas solares solidárias: “é muito importante, principalmente nas comunidades mais vulneráveis, porque os jovens hoje pensam muito no individualismo. Nós temos que mostrar que o coletivo unido tem mais força, é democrático e melhor, porque ele consegue, uma força maior, ele consegue uma expressão maior na hora da reivindicação.”
Inscrito pelo campus Diadema, ele achou o curso muito rico, esclarecedor e abriu a mente para uma nova possibilidade de conseguir energia solar e barateamento da conta de luz, que é através da solidariedade, do associativismo e cooperativismo. “As aulas mostraram experiências reais que já existem no Brasil como, por exemplo, em São Paulo, no Nordeste. Não é uma coisa fictícia, é uma realidade que já acontece. Então, que sejamos multiplicadores dessa proposta de energia solar solidária”.

E esse é justamente o objetivo do curso: formar lideranças comunitárias, estudantes e profissionais de diferentes setores para que possam disseminar as noções básicas de energia solar solidária em seus locais de atuação, entre os trabalhadores e nos bairros, explica Hamilton Rocha, coordenador-executivo da Rede Paulista de Bancos Comunitários. A ideia é aumentar a conscientização popular sobre “o que é a energia solar e mostrar as vantagens econômicas e ambientais da energia fotovoltaica nas comunidades. É um começo, nós estamos criando a semente desse movimento.”
Neste curso um dos diferenciais foi a mobilização de oito campi do Instituto Federal SP: Diadema, Franco da Rocha, Jaçanã, Carapicuíba, Osasco, Mauá, Diadema e Cotia, além da contribuição do laboratório de Energia Solar Fotovoltaica, no IFSP de Guarulhos.
“Isso não seria possível sem a participação, o apoio, a colaboração carinhosa dos professores do Instituto Federal, da instituição Instituto Federal, que ajudou a gente o tempo todo com infraestrutura para viabilizar o curso, os transportes, as salas de aula. Isso daí foi muito importante. E também a quantidade de pessoas de vários territórios que foram mobilizadas para participar”, diz Hamilton.

Lucia Scott Franco de Camargo Ouazzi Collet, diretora-geral do IFSP Campus Cotia, afirma que essa foi uma oportunidade muito interessante para início do campus (em implantação) porque eles têm um foco em sustentabilidade. “Esse curso une a sustentabilidade social com a sustentabilidade ambiental. Então, a gente traz já esse foco e traz alunos já interessados para conhecer o campus e também para ter uma formação muito importante para a comunidade local.” E essa parceria com a Rede Paulista de Bancos Comunitários é importante para “trazer para a população a possibilidade de conseguir trabalhar com as energias renováveis e de formar núcleos cooperativos dentro das comunidades.”

O advogado Denisar Roberto Diniz da Silva auxilia juridicamente comunidades no bairro do Jaçanã, na zona norte de São Paulo, por onde se inscreveu. A partir do curso está pensando em formas de trabalhar o coletivo na questão de energia fotovoltaica. Ao se juntarem em associações, é possível “uma amortização dos custos e tem a questão ainda do entrosamento da comunidade. Quando você consegue chamar pessoas e fazer com que elas participem desse tipo de projeto, você cria uma amarra social muito maior entre as pessoas, entre a comunidade, você consegue penetrar mais no núcleo social.”

Além das três aulas pela internet, o professor Walmeran Trindade, do Instituto Federal de João Pessoa, na Paraíba, veio a São Paulo especialmente para dar duas aulas presenciais. Ele explica que desta vez o desafio foi diferente, porque agora o objetivo é criar formadores que possam difundir a ideia nas próprias comunidades. Essa interdisciplinaridade entre energia solar, economia solidária e lutas sociais traz um grau de dificuldade maior, “mas que não impede que essas lideranças alcancem esse estágio de conseguir repassar esses conhecimentos, a ser um divulgador, um polinizador – como eu costumo dizer, da temática da transição energética justa e popular.”
Vinícius Pereira Ribeiro Soares atua profissionalmente no mercado de energia solar já há mais de 10 anos. Para ele, compartilhar esses conhecimentos é revolucionário. E trabalhar coletivamente é importantíssimo. “Tratar a energia solar de forma isolada, de forma pontual, não resolve nenhum problema, causa mais problemas. Trabalhar isso de forma coletiva para que as pessoas e as associações tenham acesso a esse conhecimento, que promovam a energia solar, essa sim é a solução dos problemas energéticos que a gente encontra hoje mais sustentáveis.”

Artesã e viveirista, Leidelane Mendes veio através do campus de Franco da Rocha. A partir do curso, ela pôde compreender melhor sobre energia solar solidária e destaca que atuar em coletividade é importante porque se “trabalha com a conscientização de que a mudança para um mundo melhor nunca vai ser individual, porque enquanto um pode pagar por baterias ou por placa, a gente nunca vai alcançar eficiência energética em questão de projeto de país. De forma coletiva, você mostrar para o outro que mesmo com baixa renda, ele se unindo com mais 20 ou 30 pessoas de baixa renda, é possível também nós contribuirmos com essa nova realidade, que é trazer energia mais limpa e de fato, assim, eu não falo “salvar o planeta”, mas a gente ter possibilidades de poder viver aqui neste lugar daqui a 30 anos, porque do jeito que está, as nossas possibilidades de viver bem, viver com bem-estar, são muito pequenas.”

Visitas extraclasse
Além das aulas online e presenciais, desta vez os alunos puderam fazer duas visitas externas: uma empresa ligada ao setor – a Solar Group, em Santana do Parnaíba, que produz estruturas de fixação de painéis fotovoltaicos, e o laboratório de Energia Solar Fotovoltaica, no IFSP campus Guarulhos, ambos na Grande São Paulo.

Na fábrica os alunos acompanharam o passo-a-passo da fabricação das peças de alumínio, desde o alumínio em barra, na forma bruta, até o encaixotamento dos produtos, passando pelo estoque e despacho das mercadorias. Também conheceram as etapas de trabalho manual e as peças manufaturadas automaticamente por modernos robôs.

A gestora de marketing da Solar, Deise Somayama, explica que o setor solar continua em crescimento, embora os percentuais não sejam como nos anos anteriores. Um dos atuais desafios é principalmente na parte de profissionalização. “No começo, como a demanda era muito alta, muita gente entrava no mercado. Agora a gente tá entrando num processo de triagem. Somente os bons profissionais é que realmente se mantêm ativos no setor solar.” Deise acha que a ideia da Rede Paulista de Bancos Comunitários de expandir a energia solar solidária é algo que poderia ter uma boa expansão e “até para trazer mais acessibilidade nas áreas que muitas vezes, vamos dizer assim, os projetos grandes não chegam. Para a gente, então, é uma honra contribuir com informação nesse tipo de trabalho que vocês estão fazendo.”

Os alunos também visitaram o laboratório de Energia Solar Fotovoltaica, no IFSP campus Guarulhos, onde puderam ver de perto um sistema funcionando, diferentes tipos de placas, os aparelhos que controlam os painéis, as formas adequadas de fixação em cada tipo de telhado, testaram aparelhos de medição e tiveram informações valiosas com o professor Marcelo Shibuya e auxiliares.

O professor explica que o setor de energia solar é uma disciplina bastante profunda, complexa e ampla. “É um campo que está se abrindo bastante. A gente precisa entender de módulos fotovoltaicos, inversores, entender o sol, onde ele nasce, se põe e a forma de aproveitar a energia solar.” Em relação ao objetivo de estimular a energia coletiva, solidária, pode ajudar principalmente porque uma proposta de energia solar individual costuma ser cara. “Quando você faz coletivamente, você consegue fazer com uma potência um pouquinho menor, mas que vai conseguir é abastecer todo mundo”, complementa.
Ao final do curso, o empreendedor Cleiton Ferreira de Oliveira, que veio através do campus Jaçanã, entendeu que a energia solar, se vista de forma individual, torna-se cara e para poucos. Mas trabalhando coletivamente, através de cooperativas ou associações, e com conscientização popular, torna-se economicamente viável. Então, o objetivo agora é espalhar a informação. “Acho que o pessoal não tem muito conhecimento de energia solar, todo mundo tem a visão de que é caríssimo, não sabem como funciona. Eu acho que a gente vai tentar multiplicar isso daí, de que existe outro caminho. Eu acho que as pessoas se unindo fica mais em conta, fica mais tranquilo pra poder adquirir. Eu acho que no coletivo sai mais acessível.”

A fluminense Juliana Garcia, da cidade de São Gonçalo, veio do Rio de Janeiro especialmente para o curso. Ela trabalha em comunidades com o tema da energia solar há cinco anos, mas encontra muita dificuldade de viabilizar os projetos. “Quando a gente tomou conhecimento que existia aqui em São Paulo um movimento de finanças solidárias ligado ao solar, isso deu um “match” muito importante e é por isso que a gente tá aqui hoje, nessa capacitação.”

Voltando para o Rio, ela pretende atuar em três frentes: “tentar viabilizar dois empreendimentos que a gente já sabe que têm interesse de fazer uma usina por meio da coletividade. Uma é uma associação de agricultores familiares e a outra é uma cooperativa de catadores.” Ela diz que existem projetos, mas na hora de viabilizá-los, existem barreiras econômicas. “E hoje a gente tá aqui para tentar entender e levar essa tecnologia das finanças solidárias, dos fundos solidários, pro nosso território.”
Assista à reportagem sobre o curso no Instagram:
https://www.instagram.com/redepaulistabcds/reel/DblcxRisVsL/
Ou aqui:
O curso online, promovido pela Rede Paulista de Bancos Comunitários, começa dia 13 de agosto e terá aula inaugural aberta e gratuita.
Um banco comunitário não tem fins lucrativos e é uma alternativa popular aos bancos comerciais, oferecendo serviços como conta bancária, empréstimos a baixíssimos juros (ou até juro nenhum), pagamento de boletos, transferência de dinheiro e moedas sociais que circulam localmente, fazendo o dinheiro circular apenas no bairro. E tudo isso com reinvestimento na própria comunidade, com autogestão, cooperação, solidariedade e comércio justo.

Mas para entender e estar capacitado a organizar e abrir um banco comunitário, é preciso capacitação e conhecimento. É por isso que a Rede Paulista de Bancos Comunitários abriu inscrições para o 9º. Curso de Formação para Bancos Comunitários, que vão até o dia 13 de agosto.
De acordo com Hamilton Rocha, coordenador-executivo da Rede Paulista dos Bancos Comunitários, “o curso tem como objetivo promover a troca de conhecimentos entre os participantes sobre as ferramentas, articulações e tecnologias sociais necessárias para construir um Banco Comunitário em sua comunidade, desenvolvendo habilidades e potencialidades a partir dos conhecimentos transmitidos e compartilhados ao longo dos módulos.” As aulas acontecem às quintas-feiras, das 19h30min às 21h30min e vão de 13 de agosto de 2026 a 25 de março de 2027. No total serão 46 horas de aulas.
Além de entender o que são, como funcionam e como abrir bancos comunitários, serão abordados temas como moeda social, Fundo Rotativo Solidário, vantagens dos bancos comunitários, gestão, comunicação, economia solidária, entre outros assuntos.

Hamilton afirma que mais de 300 pessoas já se formaram nas oito edições anteriores e que o curso é voltado para lideranças comunitárias, integrantes de associações e cooperativas, educadores populares, movimentos sociais e qualquer um interessado em criar soluções coletivas para o desenvolvimento econômico e social de seus territórios.
”As Finanças Solidárias são um caminho para a auto-organização das comunidades. Venha conhecer essa proposta e fazer parte dessa construção coletiva”, convida o coordenador-executivo da Rede Paulista dos Bancos Comunitários.
Contribuições
O curso oferece descontos especiais para mulheres negras e para grupos organizados que desejam construir Bancos Comunitários em seus territórios. A entidade aceita contribuições de várias formas para custear o curso e a ajudar na sustentação material da Rede Paulista de Bancos Comunitários:
• colaboração individual – R$800,00 (1ª. Parcela de R$200,00 e 5 parcelas de R$120,00)
• valor especial para mulheres negras R$300,00 (6 parcelas de R$50,00)
• contribuição especial para grupos a partir de 3 pessoas – R$600,00 por pessoa (6 parcelas de R$100,00 cada aluno)
Inscreva-se:
https://forms.gle/omm7YmgFGK56GFBJ9
ou aponte a câmera de seu celular para ser direcionado para o link

A aula inaugural on-line do curso gratuito de formação de formadores em Noções de Energia Solar aconteceu dia 13/07/26 e atividades seguem até 29 de julho
No primeiro dia de aula, na segunda-feira, dia 13 de julho, mais de 90 alunos e convidados participaram desta primeira etapa, constituída de três aulas on-line. A quantidade total de inscritos (170) superou as expectativas graças à mobilização unificada da Rede Paulista de Bancos Comunitários e dos Campi do Instituto Federal de Franco da Rocha, Jaçanã, Carapicuíba, Osasco, Mauá, Diadema e Cotia.

“Depois de nove cursos anteriores, com média entre 20 e 30 alunos por curso, podemos dizer que esta convocatória foi um sucesso”, explica Hamilton Mendes Rocha, coordenador executivo da Rede Paulista dos Bancos Comunitários. “Ao final, teremos vários agentes multiplicadores nos territórios, constituindo uma legião de “formadores solares”. É fantástico. Se todos inscritos conversarem com cinco pessoas, teremos quase 900 pessoas impactadas com esta formação e os territórios terão entrado na era da energia solar”, comemora Hamilton.
Participam do curso, principalmente, lideranças comunitárias, educadores populares, agentes de desenvolvimento local, integrantes de associações, cooperativas, bancos comunitários e pessoas interessadas em atuar como multiplicadores dos conhecimentos básicos sobre energia solar solidária. O minicurso de extensão é uma parceria do Instituto Federal, Rede Paulista de Bancos Comunitários, DGRV (Confederação das Cooperativas da Alemanha) e CERSA (Comitê de Energias Renováveis do Semiárido).

O curso tem carga horária 24 horas, sendo: três aulas remotas (13, 15 e 17 de julho); duas aulas presencias no IFSP (25 e 26 de julho), visita técnica a uma empresa do setor fotovoltaico (dia 28) e visita ao laboratório de Energia Solar Fotovoltaica no IFSP Campus Guarulhos (dia 29)
Os participantes certificados integrarão um Banco de Formadores e poderão ser convidados para futuras ofertas do curso com previsão de bolsa para atuação nas comunidades, que deverão reunir no mínimo dez e no máximo 40 pessoas que queiram realizar o curso. Esse incentivo será oferecido em parceria entre o Instituto Federal, a DGRV e a Rede Paulista”, explica Hamilton.
As inscrições vão até o dia 05/07/26. O curso gratuito será realizado em parceria entre a Rede Paulista de Bancos Comunitários, DGRV (Confederação das Cooperativas da Alemanha), CERSA (Comitê de Energias Renováveis do Semiárido) e os Campi de Franco da Rocha, Jaçanã, Carapicuíba, Osasco, Mauá, Diadema e Cotia. O Formulário de inscrição e Edital estão no final deste texto.
O que é energia solar solidária? Como será o curso? Quais datas? As reuniões preparatórias que estão sendo realizadas para o minicurso gratuito de extensão de formação de formadores em Noções de Energia Solar têm justamente como objetivo esclarecer os interessados sobre algumas dessas dúvidas e estimular a inscrição no curso.
IF Jaçanã

Dia 29 de junho os gestores do campus Jaçanã do Instituto Federal (zona Norte de São Paulo) mobilizaram a comunidade. “É muito importante a oferta desse curso de energia solar solidária porque nós temos um eixo já pactuado, que é o eixo de controle e processos industriais”, explica Eva Cristina Francisco, diretora de implantação do IF do campus Jaçanã. A questão das energias sustentáveis e da empregabilidade também são temas importantes que o curso pode ajudar. Ela afirma que a parceria entre o Instituto Federal do Jaçanã e a Rede Paulista de Bancos Comunitários é fundamental para “entrelaçar ainda mais esses conhecimentos.”
IF Franco da Rocha

No dia 30 de junho, Franco da Rocha, na Grande São Paulo também realizou reunião preparatória. Rosana Cardoso de Brito, servidora pública aposentada, se interessou pelo curso e participou do encontro. Comentou que a conta de luz dela chega a R$ 600 mensais. Já pensou em instalar painéis solares, mas a compra individual é cara. Um dos orçamentos deu R$ 18 mil e o outro, R$ 30 mil. A ideia de ser um empreendimento coletivo atraiu a Rosana: “O que mais me atraiu foi essa questão de ser comunitário, de a gente poder fazer um projeto para a nossa comunidade. A gente poder unir pessoas, famílias, e conseguir esse benefício, essa energia limpa, para famílias que sozinhas não conseguiriam. Então, acho muito interessante essa ideia de formar uma cooperativa.”

“Se a gente pensar o sol, ele tá disponível pra todo mundo, é universal. Eu posso dormir, acordar amanhã e vai ter sol. E é importante que as pessoas tenham a consciência de que é possível a gente aproveitar a energia do sol pra ter energia na minha casa, pra ter energia no carro, pra ter energia pras funções do dia a dia, pra ter energia no meu comércio, ter energia pra tocar a vida. E é importante a gente saber que é possível fazer isso de forma comunitária e acessível. Então não é só a casa da pessoa com muita condição que consegue ter uma placa solar, não é só uma grande indústria que consegue ter uma placa solar. É entender que eu, pessoa física, eu, pessoa simples, posso ter, que o meu vizinho pode ter, que a minha comunidade pode ter, o meu bairro pode ter.” explica Patrícia Cristiane Santana da Silva, professora do Instituto Federal de São Paulo, no campus Pirituba e que trabalha na implantação no campus Franco da Rocha.

Como lembrou Rosana, implantar o sistema individualmente é um custo pesado. Mas a professora Patrícia explica que uma ideia muito importante do projeto é fazer isso de forma coletiva para torná-la acessível. “Eu, sozinha, talvez não consiga fazer uma implantação, mas pensando no conjunto, no coletivo, é possível fazer, e isso é o mais interessante.”
Claudia Roses, diretora-geral do Campus Franco da Rocha do IFSP, explica que o curso de Energia Solar Solidária é importante porque estamos numa transição energética. “E isso precisa ser solidário por quê? Porque a energia solar fotovoltaica precisa estar disponível a todos, de qualquer classe social, de qualquer lugar deste nosso planeta.” Ela destaca que a parceria com a Rede Paulista de Bancos Comunitários é importante para que “a gente possa oportunizar a toda a comunidade aderir a essa tecnologia e conseguir colocá-la em prática em suas próprias vidas.”

Para quem?
O objetivo do curso é a formação de formadores em Noções de Energia Solar. “Eles vão receber uma bolsa para dar esses cursos nas comunidades. Assim, a gente vai ter o projeto solar na comunidade e o Instituto Federal na comunidade, aproximando a instituição às comunidades, levando conhecimento na comunidade”, explica Hamilton Mendes Rocha, coordenador executivo da Rede Paulista dos Bancos Comunitários.
O interessado não precisa de formação técnica no setor. “O público-alvo são lideranças comunitárias, educadores populares, agentes de desenvolvimento local, integrantes de associações, cooperativas, bancos comunitários e interessadas em atuar como multiplicadores dos conhecimentos básicos sobre energia solar solidária. Quem cumprir 75% de presença recebe certificado como formador de noções básicas de energia solar”, explica. Aqueles que concluírem o curso receberão certificado e integrarão um Banco de Formadores. Posteriormente, poderão ser convidados para futuras ofertas do curso com previsão de bolsa para atuação nas comunidades, que deverão reunir no mínimo dez e no máximo 40 pessoas que queiram realizar o curso. Essa bolsa será oferecida numa parceria entre o Instituto Federal, a DGRV (Confederação das Cooperativas da Alemanha) e a Rede Paulista.

O Curso de “Formação de Formadores em Energia Solar Solidária” faz parte do programa “Comunidades Urbanas Solares” que prevê cursos relacionados a energia Fotovoltaica, articulado com formações nas áreas de gestão de empreendimentos solidários e cooperativos, comunicação comercial e popular, além da formação sobre Bancos Comunitários e Finanças Solidárias.

O curso
A carga horária do curso é de 24 horas, sendo:
– três aulas remotas por Zoom, nos dias 13, 15 e 17 de julho, das 1930 às 21h30;
– aulas presenciais na Reitoria do IFSP (Rua Pedro Vicente, 625 – Portaria B – bairro do Canindé – São Paulo/SP) nos dias 25 e 26 de julho, das 10h às 14h;
– uma visita técnica a uma empresa do setor fotovoltaico (local a ser informado) no dia 28, das 10h às 14h
– visita ao laboratório de Energia Solar Fotovoltaica no IFSP Campus Guarulhos (av. Salgado Filho, 3501, Vila Rio de Janeiro, no Centro de Guarulhos), dia 29 das 10h às 16h
Os participantes certificados integrarão um Banco de Formadores e poderão ser convidados para futuras ofertas do curso com previsão de bolsa para atuação nas comunidades, que deverão reunir no mínimo dez e no máximo 40 pessoas que queiram realizar o curso. Esse incentivo será oferecido em parceria entre o Instituto Federal, a DGRV e a Rede Paulista”, explica Hamilton.
Formulário de Inscrição
https://forms.gle/KVqmbPZ2iAP84GDL9
Edital de oferta do minicurso
O minicurso de extensão é uma parceria do Instituto Federal, Rede Paulista de Bancos Comunitários, DGRV (Confederação das Cooperativas da Alemanha) e CERSA (Comitê de Energias Renováveis do Semiárido)
A Rede Paulista de Bancos Comunitários e os Campi do Instituto Federal de Franco da Rocha, Jaçanã, Carapicuíba, Osasco, Mauá, Diadema e Cotia estão com inscrições abertas até o dia 5 de julho de 2026, para um minicurso gratuito de extensão, que tem como objetivo formar formadores em Noções de Energia Solar. Os links para o Formulário de Inscrição e o Edital de Oferta do Minicurso estão no final desta reportagem.
Para participar do curso não é necessário que o interessado seja aluno de nenhum Instituto Federal, porque “a nossa ideia é expandir esse curso para todas as comunidades na próxima fase da convocatória que a gente vai realizar”, explica Hamilton Mendes Rocha, coordenador executivo da Rede Paulista dos Bancos Comunitários.

O interessado não precisa ter formação técnica prévia mas, sim, comprometimento com a ação comunitária, o conhecimento e a difusão desse conhecimento. “O público-alvo são lideranças comunitárias, educadores populares, agentes de desenvolvimento local, integrantes de associações, cooperativas, bancos comunitários e interessadas em atuar como multiplicadores dos conhecimentos básicos sobre energia solar solidária. Quem cumprir 75% de presença recebe certificado como formador de noções básicas de energia solar”, explica.
Reuniões preparatórias
No dia 29 junho o campus Jaçanã do Instituto Federal (zona Norte de São Paulo) e ontem, dia 30, o Campus Franco da Rocha, na Grande São Paulo (em implantação) realizaram reuniões preparatórias, onde interessados puderam compreender o que é energia solar solidária, tirar dúvidas sobre o curso e, posteriormente, convidar outras pessoas a se inscreverem.

A programação
O Curso de “Formação de Formadores em Energia Solar Solidária” faz parte do programa “Comunidades Urbanas Solares” que prevê cursos relacionados a energia Fotovoltaica, articulado com formações nas áreas de gestão de empreendimentos solidários e cooperativos, comunicação comercial e popular, além da formação sobre Bancos Comunitários e Finanças Solidárias.
A carga horária do curso é de 24 horas, sendo:
– três aulas remotas por Zoom, nos dias 13, 15 e 17 de julho, das 1930 às 21h30;
– aulas presenciais na Reitoria do IFSP (Rua Pedro Vicente, 625 – Portaria B – bairro do Canindé – São Paulo/SP) nos dias 25 e 26 de julho, das 10h às 14h;
– uma visita técnica a uma empresa do setor fotovoltaico (local a ser informado) no dia 28, das 10h às 14h
– visita ao laboratório de Energia Solar Fotovoltaica no IFSP Campus Guarulhos (av. Salgado Filho, 3501, Vila Rio de Janeiro, no Centro de Guarulhos), dia 29 das 10h às 16h
Os participantes certificados integrarão um Banco de Formadores e poderão ser convidados para futuras ofertas do curso com previsão de bolsa para atuação nas comunidades, que deverão reunir no mínimo dez e no máximo 40 pessoas que queiram realizar o curso. Esse incentivo será oferecido em parceria entre o Instituto Federal, a DGRV e a Rede Paulista”, explica Hamilton.
Formulário de Inscrição
https://forms.gle/KVqmbPZ2iAP84GDL9
Edital de oferta do minicurso
Criada há nove anos, inicialmente com menos de dez pessoas, hoje participam 44 famílias, empreendimentos e coletivos parceiros
Artesãos, artistas de diferentes setores, educadores, quilombolas, indígenas, caiçaras e agricultores familiares de Paraty (RJ) têm na Somar Associação de Economia Solidária uma entidade que une pessoas, cria oportunidades, trabalho, gera inclusão sociocultural, desenvolvimento sustentável e consciência ambiental. E também discute e pratica uma nova forma de organização de trabalho e renda – a economia solidária. O grupo organiza e participa de feiras, exposições e oficinas, promove o empoderamento de mulheres e o uso de materiais ecológicos, fortalecendo a economia solidária e gerando oportunidades de comércio justo para produtores que costumam ter menos espaço no mercado convencional.

“É um coletivo de economia solidária. Fazemos feiras, que é nossa principal fonte de renda, damos oficinas gratuitas nos eventos que participamos, de ações sociais na comunidade e parcerias com movimentos de outras cidades”, explica a artesã Maria Victoria Velazquez Prassel. Ela comenta a importância de trabalhar coletivamente: “Sozinhos não conseguimos esse nível de organização, Fazer essas feiras bonitas, compras coletivas, apoio quando alguém está passando por necessidade, é uma grande rede.”
Na pandemia de covid o Coletivo Somar foi importante para a cidade. Como o turismo caiu drasticamente (não apenas em Paraty, mas em todo o mundo) muitos perderam trabalho e renda. Mas o Somar “conseguiu ajudar pessoas, devido aos contatos e pessoas que todos conhecemos, foi possível articular cestas básicas e ajudar a quem mais precisou”, afirma a artesã.

O coletivo cresceu bastante desde a pandemia, “mais pessoas entraram com determinação, vontade e necessidade de trabalhar. Os bens materiais do coletivo aumentaram muito, fizemos mobiliário padrão, adquirimos mais tendas, palco, equipamentos de som e etc, com isso precisamos nos formalizar para termos un cnpj, poder participar de editais ou quem sabe, no futuro, poder receber apoios e doações”, orgulha-se Victoria.
Um bate-papo sobre Economia Solidária
Em abril a Somar realizou seminário sobre Economia Solidária, que teve participação da Rede Paulista de Bancos Comunitários. Hamilton Rocha, coordenador-executivo da Rede, explicou aos convidados que “a solidariedade é como uma engrenagem, que não funciona se os “dentes da engrenagem” não agirem de forma simultânea e coordenada. Se falhar um dente a engrenagem vai funcionar com defeito até quebrar e parar. A economia solidária é uma troca, não uma dádiva unidirecional. O problema da economia solidária é se separar do empreendedorismo individual que aspira a ser “rico” através do lucro egoísta, sem nunca poder sê-lo. É preciso repensar nossas práticas e nossas relações se queremos praticar realmente a economia solidária, praticando de verdade a solidariedade, a autogestão coletiva, a transparência e a democracia que, neste caso, quer dizer participação e encaminhamentos das ações coletivas decididas pela maioria e não que cada um faça “o que quiser” sem olhar pro lado.”

Érica Mota, que trabalha com sebo (compra e venda de livros usados), diz que o bate-papo com o Hamilton “foi bom pra nos lembrarmos que precisamos de formação. Foi algo muito rápido pra ter tido uma resposta conjuntural…Só com formações constantes, estudos, teremos mais firmeza.” E a Victoria afirma que o seminário foi importante porque “nos trouxe de volta a relembrar várias questões sobre a economia solidária, as engrenagens como coletivo. Foi bom ter essa grande roda sendo guiada e podendo ouvir a todos.”
Como está no próprio nome, a Somar Associação de Economia Solidária estimula uma forma alternativa ao capitalismo, que é a economia solidária. Érica explica que “o Coletivo Somar é espaço de fonte de renda para muitas famílias, mas acho que tem uma função um pouco maior, ainda não vista por todos com clareza, que é se entender como potência social e econômica no enfrentamento ao capital”.

Para ela o próximo desafio é “entender mais sobre economia solidária; ter clareza dos combinados; entender o coletivo como um compromisso que vai além de si; se organizar com estudos e protocolos, para vencer as demandas individuais que atropelam o coletivo.” Neste sentido, a Rede Paulista de Bancos Comunitários é importante parceiro para “estimular a entender e aplicar o fundo rotativo. Além disso, facilitar a compreensão de cada um com o compromisso com o Coletivo.”
Victoria concorda. É preciso “fazer mais de um curso de formação de economia solidária por ano, ter cursos que ajudem os membros a crescer como equipe e nas próprias artes.” Também são desafios da Associação a formalização dos empreendedores e empreendimentos, abrir novas vagas no Coletivo (pois temos uma grande fila de espera) e criar uma plataforma de vendas online”.
Ocupa Paratii

Um dos grandes eventos culturais de Paraty é realizado pela Somar: o “Ocupa Paratii”. É uma grande feira multicultural e de economia solidária que acontece paralelamente à FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty, em feriados e determinados finais de semana. Na Ocupa são vendidos produtos essencialmente artesanais e caseiros, culinária, com troca de saberes, socialização das experiências de produção, atividades recreativas, música e fortalecimento de outros coletivos.

A entidade veio conhecer o bairro e analisar a possibilidade de financiar a instalação de uma miniusina de geração de energia solar solidária
Caminhando por ruas e becos do Jardim Tonato, bairro na periferia do município de Carapicuíba, na Região Metropolitana de São Paulo, os integrantes da organização japonesa Living in Peace (LIP) reconhecem que essa é uma região que eles têm em mente quando se pensa em uma comunidade em situação de vulnerabilidade social que poderiam ajudar. “Hoje eu tive melhor possibilidade de imaginar de que forma poderíamos dar algum tipo de suporte para essa população”, afirmou Akiyo Umino, que participou da visita, no dia 03 de maio de 2026.

Os parceiros japoneses também conheceram os estabelecimentos comerciais das mulheres envolvidas e que serão beneficiadas pelo projeto de energia solar solidária da Rede Paulista de Bancos Comunitários em parceria com o Instituto Federal/SP, DGRV (Confederação Alemã de Cooperativas) e Associação Comunitária Jardim Tonato. Visitaram um brechó, um salão de beleza e uma loja de roupas.

E no final, andando por becos estreitos, chegaram ao campo de futebol do Bahia, um equipamento de lazer obtido através da luta popular e do Banco Comunitário Tonato, explica Maria do Carmo Rodrigues Barbosa, presidente da Associação.

Após a visita, Akiyo Umino disse que “o objetivo da Living In Peace é proporcionar oportunidade a todas as pessoas. E uma das maneiras é pelo microfinanciamento para os menos favorecidos e em situação vulnerável. Ajudamos oferecendo crédito para que elas possam ter uma vida melhor”. A ONG japonesa também trabalha com educação financeira em comunidades ou países com população em situação de vulnerabilidade social.

Comentando sobre as conversas que teve com pessoas do bairro, afirmou que muitas delas disseram que gostariam de ter tido mais oportunidade de educação e, assim, ter melhores condições financeiras. “Mas não é tarde e pra nós, de alguma forma, também podemos proporcionar um pouco de informação e conhecimento para que elas possam melhorar de vida e, quem sabe, abrir ou ampliar os próprios negócios”.
Hamilton Rocha, coordenador-executivo da Rede Paulista de Bancos Comunitários, fez essa ponte entre o Jardim Tonato, a Living in Peace e a DGRV (Confederação Alemã de Cooperativas). “Nós fizemos essa visita porque temos um projeto em que a gente gostaria de contar com a Living in Peace para financiar a compra de placas solares para a comunidade”, conta.

Maria do Carmo tem esperança de que a LIP possa dar esse suporte financeiro para finalmente iniciar o projeto de energia solar comunitária e fortalecer a Associação e o Banco Comunitário Jardim Tonato. ”A nossa prioridade agora é a instalação da usina de energia solar para que possamos reduzir o valor da conta de luz, que está muito alta.”, disse. Atualmente dez pessoas estão engajadas no projeto. E elas já estão se mobilizando para fazer caixa. Realizaram bingo e rifa que arrecadaram dois mil reais. Agora, cada participante da comunidade fará uma contribuição mensal para o fundo Rotativo Solidário para financiar a usina.
Akiyo considera muito importante ter visto a realidade e ouvido a população, e também, saber que há outras entidades envolvidas no processo, como a DGRV (Confederação Alemã de Cooperativas), Instituto Federal e Rede Paulista de Bancos Comunitários. . Agora eles vão fazer um relatório, voltar para o Japão e tentar convencer os apoiadores da LIP a investirem no projeto de energia solar solidária do Jardim Tonato.

Maria Auxiliadora, do conselho fiscal da Rede Paulista de Bancos Comunitários, afirma que seria fundamental que esse financiamento social seja feito porque, no sistema bancário comercial, os juros são muito altos, então é necessária essa parceria. “Precisamos mostrar que somos capazes de articular e realizar. É essencial que eles vejam como é o território, quem são as pessoas, qual o projeto e tenham a possibilidade de constatar que aqui é necessário um trabalho. Sem dinheiro não tem como fazer nada, então é importante que venha esse crédito para ajudar a desenvolver os territórios mais pobres.” E ela ressalta que, para dar continuidade a essa união com os investidores japoneses, é fundamental a comunidade devolver o dinheiro emprestado pela LIP. E completa dizendo que seria importante fechar essa parceria pois abriria a possibilidade para que outras entidades de outros países possam nos conhecer e, futuramente, apoiar os projetos da Rede Paulista de Bancos Comunitários.
Fundo solidário e Bancos Comunitários
Na conversa, os investidores pediram mais detalhes sobre o funcionamento dos bancos comunitários e dos fundos solidários. Hamilton Rocha explicou que um Banco Comunitário não é um banco comercial, é uma entidade sem fins lucrativos, criado pela comunidade para resolver os próprios problemas. Serve para pagar contas, transferir dinheiro e oferecer créditos – empréstimos. Um banco comunitário também tem uma moeda social própria, que só pode circular nos estabelecimentos do bairro que aceitarem participar. A vantagem da moeda social é que, por circular somente na região, fortalece o comércio local, os consumidores locais e faz o dinheiro permanecer no bairro gerando trabalho e renda. O banco comunitário é administrado pelos próprios associados e empresta dinheiro a juros baixíssimos para quem contribui financeiramente com o fundo rotativo solidário da instituição. E esse fundo solidário é um caixa no qual os associados depositam dinheiro regularmente. Quando o valor pré-estabelecido é atingido, começa a circular em forma de empréstimo.
Proposta de Energia solar solidária
Ao final do encontro, Hamilton Rocha apresentou à LIP a proposta para a instalação de uma miniusina geradora de energia solar, listando as necessidades financeiras da Associação Tonato e o cronograma para a devolução do empréstimo. “A gente está propondo uma parceria para o projeto “Comunidades Urbanas Solares”, feito em parceria com a DGRV, que vai viabiliza um valor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para a implantação de usinas solares em comunidades em situação de vulnerabilidade social.

No caso do Jardim Tonato, a comunidade tem uma dificuldade para poder fazer o pagamento da sua parte do projeto. A condição para a DGRV (e o BID) colocar 50% do valor do dinheiro para o projeto é que a comunidade coloque a outra metade. Então, nós pensamos que poderia ser interessante conseguir essa parte de empréstimo com a LIP [Living in Peace], porque isso facilitaria o projeto no Jardim Tonato.”

Hamilton afirma que este projeto é um grande desafio para a Rede Paulista de Bancos Comunitários. “É um desafio de superar as dificuldades da comunidade em acreditar que as finanças solidárias, o sistema de poupança solidária, é muito viável para fazer aquilo que a comunidade quiser. É um grande desafio porque não existe cultura de poupança solidária, de finanças solidárias. Então nós queremos incentivar que isso seja feito várias vezes, em várias comunidades, o mais rápido possível, porque as comunidades têm pressa”, finaliza.
Quem é quem
LIP – Living in Peace

Fundada em 2007, a ONG japonesa Living in Peace atua principalmente com três diretrizes: projetos para crianças, projetos para refugiados e projetos de microfinanças. Também estão trabalhando em novas áreas que contribuem para a redução da pobreza por meio da igualdade de oportunidades e combate à pobreza relacionadas às mudanças climáticas.
Atuam dentro e fora do Japão. Por meio da criação de fundos de microfinanças em países em desenvolvimento, propiciam oportunidades de acesso financeiro a pessoas que vivem em situação de pobreza.
A LIP é uma entidade certificada e reconhecida pelo Governo Metropolitano de Tóquio e as doações para a organização são dedutíveis do imposto de renda japonês.
DGRV

A DGRV – Confederação Alemã de Cooperativas é a organização do setor cooperativo que tem como objetivo desenvolver, promover e representar os interesses os membros e instituições cooperativas filiadas.
Fora da Alemanha, a entidade promove a cooperação internacional e a criação e o fortalecimento de estruturas de cooperação sustentáveis.
No Brasil a DGRV atua na promoção de cooperativas sustentáveis, principalmente no Pará e Paraná. O objetivo é apoiar comunidades desfavorecidas (especialmente pequenos agricultores), melhorando o acesso aos mercados e possibilitando a geração e o uso de energia renovável comunitária a preços acessíveis.
Rede Paulista de Bancos Comunitários

É uma entidade sem fins lucrativos que atua com o objetivo de articular, promover, formar e trocar experiências no setor de finanças solidárias, visando o fortalecimento e a expansão dos Bancos Comunitários de Desenvolvimento Local. Desde o início de 2023 a Rede Paulista também têm se dedicado à energia solar solidária como forma de melhorar a formação profissional e a qualidade de vida das comunidades.
A Rede foi criada em 2020 a partir da articulação de Bancos Comunitários já existentes e de organizações sociais interessados em construir e fortalecer Bancos Comunitários, espalhados em bairros e comunidades no Estado de São Paulo.
Entre os objetivos estão:
- Formação continuada na área de educação financeira;
- Desenvolvimento e fortalecimento, com transparência, de moeda social eletrônica;
- Desenvolvimento de modelo de empreendimento cooperativo e solidário em diversos setores;
- Construção de redes e cadeias produtivas de valor agregado a partir de empreendimentos solidários estratégicos em cada comunidade.
- Fomento, criação e expansão de Bancos Comunitários no Estado;
- Incentivo a formação, articulação e troca de conhecimento nos territórios.
A visita ao território aconteceu dia 02 de maio de 2026 e foi organizado pela Rede Paulista de Bancos Comunitários e Sociedade Alternativa da Viela da Paz
Uma antiga favela, construída sobre um poluído curso d’água que sempre alagava em dias de chuva, deu lugar a uma pequena rua urbanizada e, nos arredores, foram erguidos diversos conjuntos habitacionais para famílias que moravam pelo local. O córrego foi canalizado, mas continua com esgoto e sujeira. Apesar das melhorias, a Viela da Paz, no Butantã, zona Oeste de São Paulo, continua com problemas de habitação, crime e questões ambientais e sociais.

Foi por essa região que representantes da organização japonesa Living in Peace (LIP) fizeram uma caminhada, conversaram com moradores e comerciantes, viram os problemas de perto e conheceram o projeto “Construindo a transição energética desde e para os povos e comunidades”, no Residencial Gramado. A Living in Peace está no Brasil prospectando projetos sociais com os quais possa contribuir com financiamento a baixo custo.

A moradora Valdenice de Novais fez questão de vir conversar com o grupo de visitantes para elogiar a luta coletiva da Associação Sociedade Alternativa da Viela da Paz. Ela explicou aos japoneses que antes o local sempre tinha alagamentos e era um “bequinho” com amontoados de casas sobre casas e que ninguém acreditava que a situação poderia melhorar. Mas a organização popular conseguiu dar mais dignidade à comunidade, inclusive com a construção de habitações populares.

No comércio local visitaram, entre outros, o mercadinho do Ramon Oliveira dos Santos, que explicou aos integrantes da LIP como ele trabalha e a impossibilidade de ter preços competitivos em relação aos grandes supermercados. Dos visitantes ele ouviu e gostou de propostas como, por exemplo, os cursos de educação financeira e finanças solidárias feitos pela Rede Paulista de Bancos Comunitários. Interessou-se pelas ideias de compras coletivas com outros comerciantes do bairro para baratear os preços e a criação de uma moeda social que circulasse apenas na região, beneficiando comerciantes e moradores locais.

Masafumi Saito, um dos responsável pelos projetos de Microfinanças da LIP, diz que essa é a primeira vez que a LIP visita Comunidades no Brasil, então primeiro vieram conhecer a realidade, as necessidades e os projetos. O objetivo da Living in Peace é dar oportunidades a todos, realizar educação financeira às famílias e oferecer microfinanciamentos. “Não é doação, mas crédito. Emprestar dinheiro a baixo custo. Estamos colhendo informações que vamos repassar aos investidores japoneses e tentar convencê-los a apoiar os projetos brasileiros”, explicou.
Ele destaca que os projetos que pleitearem o financiamento precisam beneficiar o coletivo (e não individual) e afirma que o crédito oferecido pela LIP não é um negócio pra ganhar dinheiro porque não tem fins lucrativos.

Os japoneses também visitaram um dos apartamentos conquistados através da mobilização social dos movimentos populares e comentaram sobre o tamanho das unidades (42m²) que é maior que boa parte dos apartamentos no Japão.

E conheceram a usina coletiva de geração de energia solar do Residencial Gramado, inaugurada em julho de 2025. O sistema custou R$ 22 mil e beneficia 108 famílias. O objetivo é reduzir o custo da energia elétrica das áreas comuns do condomínio e promover renda por meio da de módulos fotovoltaicos. Hoje o sistema proporciona redução de 40% a 50% na conta de luz. Para realizar a implantação do sistema, a comunidade da Viela da Paz participou dos cursos sobre energia solar e finanças solidárias promovidos pela Rede Paulista com o apoio do Fórum por Mudanças Climáticas e Justiça Climática, Rede TEP (Transição Energética Justa e Popular) e CERSA (Comitê de Energia Renovável do Semiárido) e Instituto Federal. Os equipamentos foram doados pela Misereor, com o compromisso de que, com a economia na conta da energia, os moradores constituam um fundo para ampliação do sistema solar. A Misereor é uma organização de bispos da Igreja Católica da Alemanha para a cooperação ao desenvolvimento e combate à pobreza na África, Ásia e América Latina.
A usina solar integra o Projeto Energia Solar Solidária da Rede Paulista de Bancos Comunitários em parceria com a Associação Sociedade Alternativa.

Adilsom Ferreira, diretor-executivo da Associação Sociedade Alternativa da Viela da Paz e diretor-financeiro da Rede Paulista, afirma que a visita foi importante e frutífera. Ele explica que a comunidade tem várias ideias em mente, como ampliar a miniusina no conjunto habitacional Gramado, expandir as cooperativas de energia solar para outros prédios e viabilizar o funcionamento do banco comunitário. Também citou a necessidade de criar uma cooperativa para a reciclagem de lixo.
Living in Peace
Fundada em 2007, a ONG japonesa Living in Peace atua principalmente com três diretrizes: projetos para crianças, projetos para refugiados e projetos de microfinanças. Também estão trabalhando em novas áreas que contribuem para a redução da pobreza por meio da igualdade de oportunidades e combate à pobreza relacionadas às mudanças climáticas.
Atuam dentro e fora do Japão. Por meio da criação de fundos de microfinanças em países em desenvolvimento, propiciam oportunidades de acesso financeiro a pessoas que vivem em situação de pobreza.
A LIP é uma entidade certificada e reconhecida pelo Governo Metropolitano de Tóquio e as doações para a organização são dedutíveis do imposto de renda japonês.
