Boas Práticas
A Rede de Banco Comunitários possui experiências inovadoras que ajudam as comunidades a se protegerem e se desenvolverem solidária e coletivamente reforçando a confiança entre a comunidade e na moeda social. São boas práticas que merecem ser conhecidas e servirem de exemplo para ser levado por outras comunidades. Existem também trabalhos acadêmicos que analisam as diversas experiências para ajudar a entender o fenômeno dos Bancos Comunitários como para ajudar a encontrar novos caminhos Veja alguns exemplos:
O encontro entre a DGRV (alemã) e a Living in Peace (japonesa) foi articulado pela Rede Paulista de Bancos Comunitários e aconteceu dia 30 de abril de 2026
A Rede Paulista organizou o encontro entre as entidades DGRV (Deutscher Genossenschafts- und Raiffeisenverband e.V. – Confederação Alemã de Cooperativas) e a Living in Peace para que se conheçam, se aproximem e somem seus esforços com a Rede Paulista de Bancos Comunitários para viabilizar o financiamento de projetos elaborados pela Rede. De acordo com Hamilton Rocha, coordenador-executivo da Rede de Bancos Comunitários, como a DGRV já faz parceira em projetos de geração de energia solar solidária, é importante que a Living In Peace conheça nossos parceiros, nossa capacidade de articulação e a credibilidade dos projetos da Rede elaborados junto com as comunidades.

Pela primeira vez no Brasil, a Living in Peace (LIP) está prospectando projetos que possam receber financiamento com juros baixos, já que no Brasil os empréstimos bancários são inviáveis para as populações em situação de vulnerabilidade social. Para isso, os japoneses visitaram comunidades em São Paulo pra conhecer o que já foi feito a partir da Rede Paulista de Bancos Comunitários e os projetos que poderão ser apoiados. Tomomi Sasaki conta que a entidade atua pelo desenvolvimento econômico de pessoas de baixa renda, ajudando as populações de países como Mianmar, Camboja, Quênia e agora, o Brasil. Eles trabalham com microcréditos a juros baixos, cujo dinheiro é captado a partir de doadores e investidores japoneses.

Hamilton Rocha explicou à LIP que os moradores das comunidades pobres têm muita dificuldade de juntar dinheiro para que possam devolver o financiamento tomado. Mas existem caminhos pra resolver a questão. “Um dos exemplos que demos foi o financiamento para a aquisição de placas solares de uso coletivo. O dinheiro que se economiza com a conta de luz é que vai servir para garantir o financiamento das próprias placas e equipamentos que se comprou com o empréstimo”.

Priscilla Orsi, da DGRV, explica que a entidade alemã tem entre os projetos de cooperativismo no Brasil, um que é voltado à criação de cooperativas de energia renovável. E uma das fontes de financiamento para este propósito é o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). “Nós trouxemos então a proposta de trabalhar no territórios vulneráveis na periferia de São Paulo e assim procuramos a Rede para nos ajudar nesse processo de entrar em contato com as bases nos territórios e, agora, com a Living in Peace, pra somar nos projetos.”

A verba do BID que vem através da DGRV sempre financia metade do valor do projeto. Os restantes 50% devem ser completados pela própria cooperativa ou associação contemplada. Neste sentido, a Living in Peace pode ser o parceiro que faltava, para completar o financiamento às comunidades com baixa capacidade de poupança das populações em situação de vulnerabilidade social.
“Estamos procurando juros mais baixos e uma linha de crédito que entenda a realidade social e econômica das comunidades brasileiras. Então, fazemos isso para facilitar as iniciativas dos empreendimentos que a gente quer fazer nas periferias”, finaliza Hamilton Rocha.
Living in Peace

Fundada em 2007, a ONG japonesa Living in Peace atua principalmente com três diretrizes: projetos para crianças, projetos para refugiados e projetos de microfinanças. Também estão trabalhando em novas áreas que contribuem para a redução da pobreza por meio da igualdade de oportunidades e combate à pobreza relacionadas às mudanças climáticas.
Atuam dentro e fora do Japão. Por meio da criação de fundos de microfinanças em países em desenvolvimento, propiciam oportunidades de acesso financeiro a pessoas que vivem em situação de pobreza.
A LIP é uma entidade certificada e reconhecida pelo Governo Metropolitano de Tóquio e as doações para a organização são dedutíveis do imposto de renda japonês.
DGRV

A DGRV – Confederação Alemã de Cooperativas é a organização do setor cooperativo que tem como objetivo desenvolver, promover e representar os interesses os membros e instituições cooperativas filiadas.
Fora da Alemanha, a entidade promove a cooperação internacional e a criação e o fortalecimento de estruturas de cooperação sustentáveis.
No Brasil a DGRV atua na promoção de cooperativas sustentáveis, principalmente no Pará e Paraná. O objetivo é apoiar comunidades desfavorecidas (especialmente pequenos agricultores), melhorando o acesso aos mercados e possibilitando a geração e o uso de energia renovável comunitária a preços acessíveis.
Rede Paulista de Bancos Comunitários

É uma entidade sem fins lucrativos que atua com o objetivo de articular, promover, formar e trocar experiências no setor de finanças solidárias, visando o fortalecimento e a expansão dos Bancos Comunitários de Desenvolvimento Local. Desde o início de 2023 a Rede Paulista também têm se dedicado à energia solar solidária como forma de melhorar a formação profissional e a qualidade de vida das comunidades.
A Rede foi criada em 2020 a partir da articulação de Bancos Comunitários já existentes e de organizações sociais interessados em construir e fortalecer Bancos Comunitários, espalhados em bairros e comunidades no Estado de São Paulo.
Entre os objetivos estão:
- Formação continuada na área de educação financeira;
- Desenvolvimento e fortalecimento, com transparência, de moeda social eletrônica;
- Desenvolvimento de modelo de empreendimento cooperativo e solidário em diversos setores;
- Construção de redes e cadeias produtivas de valor agregado a partir de empreendimentos solidários estratégicos em cada comunidade.
- Fomento, criação e expansão de Bancos Comunitários no Estado;
- Incentivo a formação, articulação e troca de conhecimento nos territórios.
A iniciativa é do Fórum Permanente de Economia Criativa do Município de Piracicaba, proposto pela vereadora Silvia Morales (PV), do mandato coletivo A Cidade é Sua
A economia criativa é importante porque “sai do modelo tradicional e propicia maior inserção de produtores locais, produtores culturais, são temas ligados a desafios contemporâneos, traz visibilidade ao temas, startups e outros. Então, é bem importante que a gente esteja aqui dentro dessa casa de leis, fazendo esse debate”, disse a vereadora, na abertura dos trabalhos, realizado no dia 22 de abril de 2026, na Câmara Municipal de Piracicaba, interior de São Paulo.

A economia criativa é dividida em três setores: Consumo, Cultura e Tecnologia. “A área de consumo foi definido como arquitetura, design a área editorial, moda e publicidade. A área da cultura contempla artes cênicas, artes visuais, atividades artesanais, cinema, rádio e TV, museus e patrimônio e música. E a tecnologia engloba Tecnologia de Informação e Desenvolvimento de Software e jogos digitais” , afirma Débora de Paula Rodrigues – analista sênior do Sebrae (Serviço Brasileiro de apoio às Micro e Pequenas Empresas) de Piracicaba.

No Brasil a economia criativa representa 3,11% do PIB, 7% dos empregos e realizada em 97% dos casos, por micro e pequenas empresas e MEIS – Micro-empreendedores Individuais, explica a Gestora de Projetos de Empreendedorismo Feminino, Inclusão Produtiva e Economia Criativa do Sebrae Piracicaba.
Na palestra, Hamilton Rocha, da Rede Paulista de Bancos Comunitários, explicou que existe conexão entre a economia criativa e as finanças solidárias porque ambas são mais eficientes em trabalhos coletivos, cooperativas, associações. Ele explica que o objetivo da Rede é articular e formar grupos que já existem, na área de finanças solidárias, que é um setor aparentemente novo, mas que na verdade é exercido desde antes da República (1889).
As finanças solidárias, explica, são usadas por imigrantes judeus, japoneses, italianos que organizam fundos coletivos – a famosa caixinha. “Esse sistema é um sistema popular de Finanças de Economia, onde você guarda o dinheiro para usar para um objetivo concreto. No caso de um banco comunitário, o dinheiro é usado para “fomentar o desenvolvimento econômico social no território. A gente entende que para funcionar, um banco comunitário precisa trabalhar num território onde haja uma relação de confiança. Isso é um elemento determinante para essa economia funcionar.”

Pilares das finanças solidárias
O banco comunitário trabalha com três pilares principais:
- Fundo Rotativo Solidário
- crédito com juros muito baixos e
- moeda social
“O pilar fundamental é o fundo rotativo solidário, que é um fundo de crédito criado pela própria comunidade. É quem junta esse dinheiro para emprestar o dinheiro para o seu grupo que faz que faz o que precisa do crédito. Então, a ideia desse fundo é criar essa relação de confiança, criar esse grupo para poder gerar essa esse dinheiro e facilitar tanto crédito de consumo como crédito produtivo?
O outro pilar importante é o sistema de crédito com juros muito baixos, onde a gente trabalha com juros de zero, um, dois ou três por cento, porque esse juros, na verdade não tem objetivo de enriquecer ninguém. O objetivo é só corrigir o valor do dinheiro para não desvalorizar diante da inflação.
E o terceiro pilar é a moeda social, que é um elemento diferenciador do banco comunitário. Então o banco comunitário a partir de um acordo com o Banco Central, pode criar uma moeda que circula no território, numa população nunca superior a 65 mil pessoas”, explica.
E todo esse sistema é possível de acontecer? Sim, de acordo com o representante da Rede Paulista. Ele dá como exemplo o município fluminense de Maricá. Durante a pandemia a cidade usou a moeda social Mumbuca e, enquanto no Brasil houve queda no consumo, lá aconteceu “incremento de 15% na atividade econômica no território. Por quê? Porque eles pagaram benefícios sociais com a moeda social para uso exclusivamente no município. Então, isso fortaleceu comerciantes, fortaleceu o comércio de uma forma geral e manteve o dinheiro na comunidade. Com isso a gente pôde demonstrar a eficácia da moeda social para o desenvolvimento econômico local”, completou Hamilton Rocha.
As atividades da Semana Municipal da Criatividade e Inovação e do Dia Mundial da Criatividade e Inovação (World Creativity and Innovation Day) se encerraram na sexta-feira, dia 24 de abril, com uma roda de conversa sobre inovação no setor público, abordando os temas “IEG-M e Observatório do Futuro: como os municípios paulistas podem inovar para avançar positivamente na Agenda de Desenvolvimento Sustentável”, “Contribuições caipiras para a Agenda 2030” e “Sistema Sentry SOS – Muralha Digital”.
alunos já se mobilizam para criar uma associação ou cooperativa de energia solidária
O campus Cotia do Instituto Federal ainda está em implantação, mas recebeu o curso de noções básicas de energia fotovoltaica. Os alunos puderam aprender, na prática, como é o esquema de montagem do sistema e ver uma pequena placa solar gerando energia elétrica.
Esse foi o último dia do curso de extensão sobre energia solar solidária em Cotia, que teve aulas online e presenciais. Muitos dos alunos chegaram com a ideia de instalar um sistema individual, mas Walmeran Trindade Júnior, professor de engenharia elétrica do Instituto Federal da Paraíba, convenceu a maioria dos alunos que implantar um sistema coletivo de geração de eletricidade é mais viável, solidário e barateia o custo.

A consultora de sistema Larissa Silva admite que chegou no curso “com uma visão pequena de suprir a própria necessidade de energia e no máximo expandir para os vizinhos”. Mas as aulas deram uma nova visão, que foi a criar uma associação ou cooperativa e ampliar o benefício para mais pessoas.

O painel fotovoltaico é um equipamento moderno e inovador, acredita o psicopedagogo Airton Alexadre (mais conhecido como Tebas). Como ele gosta de acompanhar a evolução da ciência, acabou atraído pelo curso de noções de básicas de energia solar. Pretende se aprofundar no assunto e trabalhar no ramo. Mas também quer ajudar as pessoas mais vulneráveis da cidade de Cotia, na Grande São Paulo, a formarem cooperativas para implantarem o sistema, se beneficiarem da redução da conta de luz e, quem sabe, até formar novos técnicos capazes de instalar as placas.

Hamilton Rocha, da coordenação-executiva da Rede Paulista de Bancos Comunitários, afirma que o “trabalho coletivo faz com que a gente consiga ter uma soma de habilidades e recursos que reduz o tempo para desenvolver esses projetos”, por isso é fundamental unir as pessoas num só objetivo.
No sábado, dia 31 de janeiro, aconteceu nova reunião no IF Cotia entre alunos do curso e a Rede Paulista, e ficou decidida a constituição de uma entidade com o objetivo de instalar painéis fotovoltaicos comunitários.

As aulas aconteceram em salão da Paróquia Nossa Senhora da Esperança nos dias 27 e 29 de janeiro de 2026
Um painel solar do tamanho de uma porta é o modelo padrão que é instalado nos telhados das casas. Mas são necessárias diversas dessas placas para que haja uma substancial economia na conta de luz, que poderia chegar a até 95%. No curso, que contou com a presença de 20 pessoas, o professor Walmeran Trindade Júnior, professor de engenharia elétrica do Instituto Federal da Paraíba, mostrou na prática como elas funcionam, como conectar uma série desses painéis e a vantagem de um grupo de moradores se unir para montar uma pequena usina solar de eletricidade. Entre as vantagens está o barateamento da compra dos equipamentos e resolve o problema do espaço físico onde podem ser instalados os painéis, já que diversos telhados podem ser compartilhados.

A assistente social Claudilene Rodrigues das Virgens veio, inicialmente, por curiosidade. Mas se entusiasmou pela ideia de gerar eletricidade coletivamente. E também achou fundamental que o curso dê atenção especial às mulheres, que podem se especializar em energia solar para instalar as placas em outras localidades.
Um dos objetivos da parceria do Instituto Federal com a Rede Paulista de Bancos Comunitários e a paróquia é oferecer cursos de extensão, ou seja, estar nas comunidades, e não apenas dando aulas dentro da instituição, explica Denilza da Silva Prado, diretoria do campus Jardim Ângela do Instituto Federal de São Paulo. Ela lembra que ano passado foi dado um curso de elétrica e agora de noções básicas de energia solar. É uma forma de educação, cooperativismo, solidariedade e que cria um elo entre os moradores do bairro entre si e com o IF.

Padre José Wilson de Souza foi quem abriu as portas da igreja para diversos cursos. Ele acha que é fundamental dar formação aos moradores do região para que possam procurar uma profissionalização que gere renda.
Josileine Vieira da Silva, auxiliar de saúde bucal, já tinha feito o curso de eletricidade de baixa tensão e agora o de energia solar. Ela acha muito interessante a ideia da união de moradores para baratear a compra dos painéis, que não é tão barato, e economizar na conta de luz.
O que um não consegue sozinho, conseguimos juntos, diz Camila Japp, diretora da Confederação Alemã das Cooperativas (DGRV). A união popular pode gerar desenvolvimento comunitário, por isso a entidade está nessa parceria, oferecendo assessoria, já que a Alemanha tem grande experiência em cooperativismo, inclusive com 900 cooperativas de geração de energia solar.
Para sobreviver no mundo atual, as pessoas precisam de alimento, água e eletricidade. E para satisfazer essas necessidades é preciso ter dinheiro, comenta Hamilton Rocha, da coordenação-executiva da Rede Paulista de Bancos Comunitários. Nesse sentido, o curso de noções sobre energia solar pretende despertar na comunidade a consciência de que uma ação coletiva pode gerar trabalho, renda e economia na conta de luz. E com a experiência acumulada, a Rede Paulista pretende expandir as atividades para outros territórios, difundindo a ideia da energia solar solidária, dos bancos comunitários e das finanças solidárias.

Rede Paulista de Bancos Comunitários, DGRV e CERSA se reuniram para fundamentar as bases do projeto “Comunidades Urbanas Energéticas”
O projeto “Comunidades Urbanas Energéticas” é uma ideia que pretende apoiar a implantação de usinas solares em comunidades urbanas em situação de vulnerabilidade social e econômica.
Pelo plano, a DGRV (Confederação Alemã de Cooperativas) se compromete com o aporte de 50% do investimento e a outra metade fica a cargo do grupo comunitário interessado na instalação da usina solar. A condição desse empréstimo é que o valor seja devolvido a um Fundo Rotativo Solidário, que servirá para impulsionar novos projetos solares nas comunidades interessadas.

Além da energia solar, o fundo pode ajudar a financiar projetos cooperativos ou associativos de empreendimentos que visem melhorar a renda das famílias nas comunidades.
O apoio do CERSA (Comitê de Energias Renováveis do Semiárido) é fundamental na troca de conhecimentos, já que possui experiência de anos na constituição de cooperativas e grupos para implantação de usinas solares no semiárido nordestino.
E a Rede Paulista de Bancos Comunitários, além de assessoria e coordenação dos grupos, ajuda na constituição dos fundos Rotativos.
Algumas turmas que participaram dos cursos de formação sobre energia solar estão se organizando para participar deste ambicioso projeto.
DGRV

A DGRV – Confederação Alemã de Cooperativas é a organização do setor cooperativo que tem como objetivo desenvolver, promover e representar os interesses os membros e instituições cooperativas filiadas.
Fora da Alemanha, a entidade promove a cooperação internacional e a criação e o fortalecimento de estruturas de cooperação sustentáveis.
No Brasil a DGRV atua na promoção de cooperativas sustentáveis, principalmente no Pará e Paraná. O objetivo é apoiar comunidades desfavorecidas (especialmente pequenos agricultores), melhorando o acesso aos mercados e possibilitando a geração e o uso de energia renovável comunitária a preços acessíveis.
CERSA

O CERSA – Comitê de Energias Renováveis do Semiárido – é um coletivo fundado em julho de 2014, focado em promover a energia solar descentralizada no semiárido brasileiro. Atuando com organizações, pesquisadores e colaboradores, o comitê destaca o potencial da energia solar na região, almejando justiça social, sustentabilidade e combate às mudanças climáticas. A entidade implementou mais de 40 sistemas fotovoltaicos na Paraíba, tornando-se referência nacional em energia solar solidária.
Rede Paulista de Bancos Comunitários

É uma entidade sem fins lucrativos que atua com o objetivo de articular, promover, formar e trocar experiências no setor de finanças solidárias, visando o fortalecimento e a expansão dos Bancos Comunitários de Desenvolvimento Local. Desde o início de 2023 a Rede Paulista também têm se dedicado à energia solar solidária como forma de melhorar a formação profissional e a qualidade de vida das comunidades.
A Rede foi criada em 2020 a partir da articulação de Bancos Comunitários já existentes e de organizações sociais interessados em construir e fortalecer Bancos Comunitários, espalhados em bairros e comunidades no Estado de São Paulo.
Entre os objetivos estão:
- Formação continuada na área de educação financeira;
- Desenvolvimento e fortalecimento, com transparência, de moeda social eletrônica;
- Desenvolvimento de modelo de empreendimento cooperativo e solidário em diversos setores;
- Construção de redes e cadeias produtivas de valor agregado a partir de empreendimentos solidários estratégicos em cada comunidade.
- Fomento, criação e expansão de Bancos Comunitários no Estado;
- Incentivo a formação, articulação e troca de conhecimento nos territórios.
atividade aconteceu presencialmente nos dias 24 e 25 de janeiro de 2025 no Jardim Tonato
O sol é uma energia gratuita, infinita e ambientalmente limpa, comenta o professor Walmeran Trindade Júnior, professor de engenharia elétrica do Instituto Federal da Paraíba. E a compra dos painéis fotovoltaicos para gerar eletricidade acaba se pagando através da própria economia que ela gera na conta de energia. Ele explica que ao instalar e ligar essas placas à rede elétrica da concessionária, no caso a Enel, um relógio especial calcula quanto o painel solar está gerando de eletricidade e essa produção se transforma em desconto na conta.

Além das aulas em local fechado, alunos e moradores do bairro puderam ver o funcionamento real, na prática, de placas fotovoltaicas de diferentes tamanhos e potências. As atividades experimentais ocuparam as ruas do Jardim Tonato e despertaram curiosidade. Mesmo com o dia nublado, o professor Walmeran demonstrou que os painéis foram capazes acender uma lâmpada led e acionar um pequeno motor.

A vendedora Cristiane Pereira Amador ficou interessada na ideia de instalar painéis fotovoltaicos coletivos no Jardim Tonato (Carapicuíba). Ela destaca que um projeto comunitário é importante para unir forças e baratear custos de aquisição das placas. E além de reduzir a conta de luz, ela também destacou que o projeto valoriza a mulher da comunidade, que pode ter uma renda extra se o projeto se expandir.

Para tentar criar um grupo de moradores que se junte para comprar e instalar esses pai
néis fotovoltaicos, a Associação Jardim Tonato fez parceria com a Rede Paulista de Bancos Comunitários, o Instituto Federal de São Paulo e a DGRV – Confederação Alemã das Cooperativas para trazer esse curso para o bairro. Pedrina de Sousa da Silva secretária-geral da Associação, afirma que o objetivo é trazer economia na conta de luz e dar empoderamento para as mulheres, que são excluídas do mercado de trabalho.
Um dos problemas é quebrar a barreira financeira, já que os painéis não são baratos. Os valores podem varia de R$ 6 mil a R$ 25 mil, dependendo de modelos e potências. Mas Adilsom Aparecido Ferreira diretor-financeiro da Rede Paulista, afirma que se um grupo de moradores se unir, o custo barateia e viabiliza a compra. Até por isso são fundamentais esses cursos de noções sobre energia solar para esclarecer dúvidas e tentar unir a comunidade no objetivo de instalar as placas.

As aulas são uma parceria entre Rede Paulista de Bancos Comunitários, Associação Comunitária Tonato e Confederação das Cooperativas da Alemanha (DGRV).
O curso realizado no Jardim Tonato, bairro da cidade de Carapicuíba, na Grande São Paulo, abordou os princípios básicos do cooperativismo e a possibilidade de impulsionar a criação de empreendimentos solidários baseados no cooperativismo para superar as dificuldades econômicas e sociais que impactam a comunidade.


Após o curso, que aconteceu no dia 4 de dezembro de 2025, o grupo definiu alguns encaminhamentos relativos à implantação de um projeto de energia solar em parceria com a DGRV:
– Arrecadação de fundos para o projeto através de atividades coletivas de arrecadação, como rifas e bingos;
– Divulgar a realização de um curso sobre Energia Solar Solidaria que se realizará em janeiro de 2026.
– Iniciar a discussão, na comunidade, de como viabilizar o projeto de implantação de painéis solares em uma das casas de morador do grupo.
– Fortalecer um fundo rotativo para o financiamento do projeto de energia solar.
participantes decidiram formar um fundo rotativo
No seminário os jovens descobriram as vantagens das finanças solidárias, que se baseiam na autogestão do dinheiro, na cooperação e na solidariedade. Hamilton Rocha, da Coordenação Executiva da Rede Paulista de Bancos Comunitários, explicou os conceitos e práticas de finanças solidárias e o funcionamento dos bancos comunitários, das moedas sociais e dos fundos rotativos comunitários. Em decisão coletiva, os jovens decidiram criar um fundo rotativo solidário para o grupo

Momento do Seminário sobre Finanças Solidárias com o Coletivo Luminar e a Fundação Projovem
O seminário aconteceu no dia 18 de outubro de 2025, foi promovido pela Rede Paulista, fruto das articulações iniciadas em Jundiaí, no interior de Sâo Paulo e reuniu jovens do Coletivo Luminar, que atua na prevenção de DSTs e promoção da saúde juvenil e da Fundação Projovem.

Articulação e apresentação do Projeto Reciclagem, Beleza e Rendas no Jardim Tonato Carapicuíba. 1 de setembro de 2025
O projeto Reciclagem, Beleza e Renda pretende criar um modelo de desenvolvimento econômico local, solidário e sustentável para promover trabalho e renda nas comunidades às mulheres, jovens e negros. O Banco Comunitário é o instrumento financeiro do projeto, captando recursos externos e reunindo recursos locais.

A ideia é criar uma cultura de cidadania baseada no sentimento de pertencimento, de interesse do coletivo que beneficia a todos. Está apoiado no tripé Formação, Financiamento Cooperativo e Solidariedade.

Conta de luz mais barata
Neste sentido, a implantação da Energia Solar é uma ação estratégica com o objetivo de reduzir os custos de energia elétrica para as residências e atividades econômicas no bairro e também capacitar jovens, mulheres e negros que poderão conseguir renda através de trabalho qualificado.
BNDES da Quebrada
Este projeto é parte de uma ideia maior da Rede Paulista de Bancos Comunitários, o “BNDES DA QUEBRADA”, cujo objetivo geral é promover e fomentar o desenvolvimento local sustentável, gerador de trabalho e renda, tendo os bancos comunitários de desenvolvimento local como um BNDES Local e como agente de formações e capacitações relacionadas a 5 eixos estratégicos: Energia Solar Solidária; Segurança Alimentar; Acesso Universal a Água e ao Saneamento; Empreendimentos Econômicos Solidários e Cooperativos e Finanças Solidárias.

Com abordagem multidisciplinar, o projeto procura enfrentar problemas socioambientais, focando a ação especialmente na população negra, feminina e jovem.
Este projeto foi apresentado ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) através da DGRV (Confederação Alemã de Cooperativas) e está sendo apreciado por um comitê curador.
Parceria com o Instituto Federal SP
A Rede Paulista de Bancos Comunitários está construindo parceria com os Institutos Federais de Carapicuíba e Cotia para a implementação de cursos de extensão nas áreas de Energia Solar, Água e Segurança alimentar, além dos cursos específicos sobre Cooperativismo e Gestão de empreendimentos Solidários.
As ferramentas-chave para estas atividades são os Comunitários, as Moedas Sociais e os Fundos Rotativos Solidários como instrumentos de poupança e retenção do dinheiro no território.
Este é o maior evento relacionado a energia solar na América Latina e foi realizado nos dias 26, 27 e 28 de agosto
A Rede Paulista de Bancos Comunitários considera que a participação na INTERSOLAR 2025 foi importante para aprofundar os contatos com empresas e instituições relacionadas ao setor de energia solar.

Nossa presença permitiu a participação em novos editais que promovem a construção de painéis solares em comunidades vulneráveis.
No estande foram distribuídos panfletos da parceria Rede Paulista-Instituto Federal São Paulo para auxiliar no diálogo e divulgação das nossas propostas formativas nos bairros, combinada com a ação concreta nas comunidades.

Na INTERSOLAR as empresas e instituições apresentam as inovações e novos produtos do setor de fotovoltaicos e tecnologias termossolares. Mais de 55 mil visitantes estiveram no evento e houve ampliação das áreas dedicadas às soluções de armazenamento de energia, infraestrutura elétrica e mobilidade elétrica.
