Boas Práticas
A Rede de Banco Comunitários possui experiências inovadoras que ajudam as comunidades a se protegerem e se desenvolverem solidária e coletivamente reforçando a confiança entre a comunidade e na moeda social. São boas práticas que merecem ser conhecidas e servirem de exemplo para ser levado por outras comunidades. Existem também trabalhos acadêmicos que analisam as diversas experiências para ajudar a entender o fenômeno dos Bancos Comunitários como para ajudar a encontrar novos caminhos Veja alguns exemplos:
Criada há nove anos, inicialmente com menos de dez pessoas, hoje participam 44 famílias, empreendimentos e coletivos parceiros
Artesãos, artistas de diferentes setores, educadores, quilombolas, indígenas, caiçaras e agricultores familiares de Paraty (RJ) têm na Somar Associação de Economia Solidária uma entidade que une pessoas, cria oportunidades, trabalho, gera inclusão sociocultural, desenvolvimento sustentável e consciência ambiental. E também discute e pratica uma nova forma de organização de trabalho e renda – a economia solidária. O grupo organiza e participa de feiras, exposições e oficinas, promove o empoderamento de mulheres e o uso de materiais ecológicos, fortalecendo a economia solidária e gerando oportunidades de comércio justo para produtores que costumam ter menos espaço no mercado convencional.

“É um coletivo de economia solidária. Fazemos feiras, que é nossa principal fonte de renda, damos oficinas gratuitas nos eventos que participamos, de ações sociais na comunidade e parcerias com movimentos de outras cidades”, explica a artesã Maria Victoria Velazquez Prassel. Ela comenta a importância de trabalhar coletivamente: “Sozinhos não conseguimos esse nível de organização, Fazer essas feiras bonitas, compras coletivas, apoio quando alguém está passando por necessidade, é uma grande rede.”
Na pandemia de covid o Coletivo Somar foi importante para a cidade. Como o turismo caiu drasticamente (não apenas em Paraty, mas em todo o mundo) muitos perderam trabalho e renda. Mas o Somar “conseguiu ajudar pessoas, devido aos contatos e pessoas que todos conhecemos, foi possível articular cestas básicas e ajudar a quem mais precisou”, afirma a artesã.

O coletivo cresceu bastante desde a pandemia, “mais pessoas entraram com determinação, vontade e necessidade de trabalhar. Os bens materiais do coletivo aumentaram muito, fizemos mobiliário padrão, adquirimos mais tendas, palco, equipamentos de som e etc, com isso precisamos nos formalizar para termos un cnpj, poder participar de editais ou quem sabe, no futuro, poder receber apoios e doações”, orgulha-se Victoria.
Um bate-papo sobre Economia Solidária
Em abril a Somar realizou seminário sobre Economia Solidária, que teve participação da Rede Paulista de Bancos Comunitários. Hamilton Rocha, coordenador-executivo da Rede, explicou aos convidados que “a solidariedade é como uma engrenagem, que não funciona se os “dentes da engrenagem” não agirem de forma simultânea e coordenada. Se falhar um dente a engrenagem vai funcionar com defeito até quebrar e parar. A economia solidária é uma troca, não uma dádiva unidirecional. O problema da economia solidária é se separar do empreendedorismo individual que aspira a ser “rico” através do lucro egoísta, sem nunca poder sê-lo. É preciso repensar nossas práticas e nossas relações se queremos praticar realmente a economia solidária, praticando de verdade a solidariedade, a autogestão coletiva, a transparência e a democracia que, neste caso, quer dizer participação e encaminhamentos das ações coletivas decididas pela maioria e não que cada um faça “o que quiser” sem olhar pro lado.”

Érica Mota, que trabalha com sebo (compra e venda de livros usados), diz que o bate-papo com o Hamilton “foi bom pra nos lembrarmos que precisamos de formação. Foi algo muito rápido pra ter tido uma resposta conjuntural…Só com formações constantes, estudos, teremos mais firmeza.” E a Victoria afirma que o seminário foi importante porque “nos trouxe de volta a relembrar várias questões sobre a economia solidária, as engrenagens como coletivo. Foi bom ter essa grande roda sendo guiada e podendo ouvir a todos.”
Como está no próprio nome, a Somar Associação de Economia Solidária estimula uma forma alternativa ao capitalismo, que é a economia solidária. Érica explica que “o Coletivo Somar é espaço de fonte de renda para muitas famílias, mas acho que tem uma função um pouco maior, ainda não vista por todos com clareza, que é se entender como potência social e econômica no enfrentamento ao capital”.

Para ela o próximo desafio é “entender mais sobre economia solidária; ter clareza dos combinados; entender o coletivo como um compromisso que vai além de si; se organizar com estudos e protocolos, para vencer as demandas individuais que atropelam o coletivo.” Neste sentido, a Rede Paulista de Bancos Comunitários é importante parceiro para “estimular a entender e aplicar o fundo rotativo. Além disso, facilitar a compreensão de cada um com o compromisso com o Coletivo.”
Victoria concorda. É preciso “fazer mais de um curso de formação de economia solidária por ano, ter cursos que ajudem os membros a crescer como equipe e nas próprias artes.” Também são desafios da Associação a formalização dos empreendedores e empreendimentos, abrir novas vagas no Coletivo (pois temos uma grande fila de espera) e criar uma plataforma de vendas online”.
Ocupa Paratii

Um dos grandes eventos culturais de Paraty é realizado pela Somar: o “Ocupa Paratii”. É uma grande feira multicultural e de economia solidária que acontece paralelamente à FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty, em feriados e determinados finais de semana. Na Ocupa são vendidos produtos essencialmente artesanais e caseiros, culinária, com troca de saberes, socialização das experiências de produção, atividades recreativas, música e fortalecimento de outros coletivos.

A entidade veio conhecer o bairro e analisar a possibilidade de financiar a instalação de uma miniusina de geração de energia solar solidária
Caminhando por ruas e becos do Jardim Tonato, bairro na periferia do município de Carapicuíba, na Região Metropolitana de São Paulo, os integrantes da organização japonesa Living in Peace (LIP) reconhecem que essa é uma região que eles têm em mente quando se pensa em uma comunidade em situação de vulnerabilidade social que poderiam ajudar. “Hoje eu tive melhor possibilidade de imaginar de que forma poderíamos dar algum tipo de suporte para essa população”, afirmou Akiyo Umino, que participou da visita, no dia 03 de maio de 2026.

Os parceiros japoneses também conheceram os estabelecimentos comerciais das mulheres envolvidas e que serão beneficiadas pelo projeto de energia solar solidária da Rede Paulista de Bancos Comunitários em parceria com o Instituto Federal/SP, DGRV (Confederação Alemã de Cooperativas) e Associação Comunitária Jardim Tonato. Visitaram um brechó, um salão de beleza e uma loja de roupas.

E no final, andando por becos estreitos, chegaram ao campo de futebol do Bahia, um equipamento de lazer obtido através da luta popular e do Banco Comunitário Tonato, explica Maria do Carmo Rodrigues Barbosa, presidente da Associação.

Após a visita, Akiyo Umino disse que “o objetivo da Living In Peace é proporcionar oportunidade a todas as pessoas. E uma das maneiras é pelo microfinanciamento para os menos favorecidos e em situação vulnerável. Ajudamos oferecendo crédito para que elas possam ter uma vida melhor”. A ONG japonesa também trabalha com educação financeira em comunidades ou países com população em situação de vulnerabilidade social.

Comentando sobre as conversas que teve com pessoas do bairro, afirmou que muitas delas disseram que gostariam de ter tido mais oportunidade de educação e, assim, ter melhores condições financeiras. “Mas não é tarde e pra nós, de alguma forma, também podemos proporcionar um pouco de informação e conhecimento para que elas possam melhorar de vida e, quem sabe, abrir ou ampliar os próprios negócios”.
Hamilton Rocha, coordenador-executivo da Rede Paulista de Bancos Comunitários, fez essa ponte entre o Jardim Tonato, a Living in Peace e a DGRV (Confederação Alemã de Cooperativas). “Nós fizemos essa visita porque temos um projeto em que a gente gostaria de contar com a Living in Peace para financiar a compra de placas solares para a comunidade”, conta.

Maria do Carmo tem esperança de que a LIP possa dar esse suporte financeiro para finalmente iniciar o projeto de energia solar comunitária e fortalecer a Associação e o Banco Comunitário Jardim Tonato. ”A nossa prioridade agora é a instalação da usina de energia solar para que possamos reduzir o valor da conta de luz, que está muito alta.”, disse. Atualmente dez pessoas estão engajadas no projeto. E elas já estão se mobilizando para fazer caixa. Realizaram bingo e rifa que arrecadaram dois mil reais. Agora, cada participante da comunidade fará uma contribuição mensal para o fundo Rotativo Solidário para financiar a usina.
Akiyo considera muito importante ter visto a realidade e ouvido a população, e também, saber que há outras entidades envolvidas no processo, como a DGRV (Confederação Alemã de Cooperativas), Instituto Federal e Rede Paulista de Bancos Comunitários. . Agora eles vão fazer um relatório, voltar para o Japão e tentar convencer os apoiadores da LIP a investirem no projeto de energia solar solidária do Jardim Tonato.

Maria Auxiliadora, do conselho fiscal da Rede Paulista de Bancos Comunitários, afirma que seria fundamental que esse financiamento social seja feito porque, no sistema bancário comercial, os juros são muito altos, então é necessária essa parceria. “Precisamos mostrar que somos capazes de articular e realizar. É essencial que eles vejam como é o território, quem são as pessoas, qual o projeto e tenham a possibilidade de constatar que aqui é necessário um trabalho. Sem dinheiro não tem como fazer nada, então é importante que venha esse crédito para ajudar a desenvolver os territórios mais pobres.” E ela ressalta que, para dar continuidade a essa união com os investidores japoneses, é fundamental a comunidade devolver o dinheiro emprestado pela LIP. E completa dizendo que seria importante fechar essa parceria pois abriria a possibilidade para que outras entidades de outros países possam nos conhecer e, futuramente, apoiar os projetos da Rede Paulista de Bancos Comunitários.
Fundo solidário e Bancos Comunitários
Na conversa, os investidores pediram mais detalhes sobre o funcionamento dos bancos comunitários e dos fundos solidários. Hamilton Rocha explicou que um Banco Comunitário não é um banco comercial, é uma entidade sem fins lucrativos, criado pela comunidade para resolver os próprios problemas. Serve para pagar contas, transferir dinheiro e oferecer créditos – empréstimos. Um banco comunitário também tem uma moeda social própria, que só pode circular nos estabelecimentos do bairro que aceitarem participar. A vantagem da moeda social é que, por circular somente na região, fortalece o comércio local, os consumidores locais e faz o dinheiro permanecer no bairro gerando trabalho e renda. O banco comunitário é administrado pelos próprios associados e empresta dinheiro a juros baixíssimos para quem contribui financeiramente com o fundo rotativo solidário da instituição. E esse fundo solidário é um caixa no qual os associados depositam dinheiro regularmente. Quando o valor pré-estabelecido é atingido, começa a circular em forma de empréstimo.
Proposta de Energia solar solidária
Ao final do encontro, Hamilton Rocha apresentou à LIP a proposta para a instalação de uma miniusina geradora de energia solar, listando as necessidades financeiras da Associação Tonato e o cronograma para a devolução do empréstimo. “A gente está propondo uma parceria para o projeto “Comunidades Urbanas Solares”, feito em parceria com a DGRV, que vai viabiliza um valor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para a implantação de usinas solares em comunidades em situação de vulnerabilidade social.

No caso do Jardim Tonato, a comunidade tem uma dificuldade para poder fazer o pagamento da sua parte do projeto. A condição para a DGRV (e o BID) colocar 50% do valor do dinheiro para o projeto é que a comunidade coloque a outra metade. Então, nós pensamos que poderia ser interessante conseguir essa parte de empréstimo com a LIP [Living in Peace], porque isso facilitaria o projeto no Jardim Tonato.”

Hamilton afirma que este projeto é um grande desafio para a Rede Paulista de Bancos Comunitários. “É um desafio de superar as dificuldades da comunidade em acreditar que as finanças solidárias, o sistema de poupança solidária, é muito viável para fazer aquilo que a comunidade quiser. É um grande desafio porque não existe cultura de poupança solidária, de finanças solidárias. Então nós queremos incentivar que isso seja feito várias vezes, em várias comunidades, o mais rápido possível, porque as comunidades têm pressa”, finaliza.
Quem é quem
LIP – Living in Peace

Fundada em 2007, a ONG japonesa Living in Peace atua principalmente com três diretrizes: projetos para crianças, projetos para refugiados e projetos de microfinanças. Também estão trabalhando em novas áreas que contribuem para a redução da pobreza por meio da igualdade de oportunidades e combate à pobreza relacionadas às mudanças climáticas.
Atuam dentro e fora do Japão. Por meio da criação de fundos de microfinanças em países em desenvolvimento, propiciam oportunidades de acesso financeiro a pessoas que vivem em situação de pobreza.
A LIP é uma entidade certificada e reconhecida pelo Governo Metropolitano de Tóquio e as doações para a organização são dedutíveis do imposto de renda japonês.
DGRV

A DGRV – Confederação Alemã de Cooperativas é a organização do setor cooperativo que tem como objetivo desenvolver, promover e representar os interesses os membros e instituições cooperativas filiadas.
Fora da Alemanha, a entidade promove a cooperação internacional e a criação e o fortalecimento de estruturas de cooperação sustentáveis.
No Brasil a DGRV atua na promoção de cooperativas sustentáveis, principalmente no Pará e Paraná. O objetivo é apoiar comunidades desfavorecidas (especialmente pequenos agricultores), melhorando o acesso aos mercados e possibilitando a geração e o uso de energia renovável comunitária a preços acessíveis.
Rede Paulista de Bancos Comunitários

É uma entidade sem fins lucrativos que atua com o objetivo de articular, promover, formar e trocar experiências no setor de finanças solidárias, visando o fortalecimento e a expansão dos Bancos Comunitários de Desenvolvimento Local. Desde o início de 2023 a Rede Paulista também têm se dedicado à energia solar solidária como forma de melhorar a formação profissional e a qualidade de vida das comunidades.
A Rede foi criada em 2020 a partir da articulação de Bancos Comunitários já existentes e de organizações sociais interessados em construir e fortalecer Bancos Comunitários, espalhados em bairros e comunidades no Estado de São Paulo.
Entre os objetivos estão:
- Formação continuada na área de educação financeira;
- Desenvolvimento e fortalecimento, com transparência, de moeda social eletrônica;
- Desenvolvimento de modelo de empreendimento cooperativo e solidário em diversos setores;
- Construção de redes e cadeias produtivas de valor agregado a partir de empreendimentos solidários estratégicos em cada comunidade.
- Fomento, criação e expansão de Bancos Comunitários no Estado;
- Incentivo a formação, articulação e troca de conhecimento nos territórios.
A visita ao território aconteceu dia 02 de maio de 2026 e foi organizado pela Rede Paulista de Bancos Comunitários e Sociedade Alternativa da Viela da Paz
Uma antiga favela, construída sobre um poluído curso d’água que sempre alagava em dias de chuva, deu lugar a uma pequena rua urbanizada e, nos arredores, foram erguidos diversos conjuntos habitacionais para famílias que moravam pelo local. O córrego foi canalizado, mas continua com esgoto e sujeira. Apesar das melhorias, a Viela da Paz, no Butantã, zona Oeste de São Paulo, continua com problemas de habitação, crime e questões ambientais e sociais.

Foi por essa região que representantes da organização japonesa Living in Peace (LIP) fizeram uma caminhada, conversaram com moradores e comerciantes, viram os problemas de perto e conheceram o projeto “Construindo a transição energética desde e para os povos e comunidades”, no Residencial Gramado. A Living in Peace está no Brasil prospectando projetos sociais com os quais possa contribuir com financiamento a baixo custo.

A moradora Valdenice de Novais fez questão de vir conversar com o grupo de visitantes para elogiar a luta coletiva da Associação Sociedade Alternativa da Viela da Paz. Ela explicou aos japoneses que antes o local sempre tinha alagamentos e era um “bequinho” com amontoados de casas sobre casas e que ninguém acreditava que a situação poderia melhorar. Mas a organização popular conseguiu dar mais dignidade à comunidade, inclusive com a construção de habitações populares.

No comércio local visitaram, entre outros, o mercadinho do Ramon Oliveira dos Santos, que explicou aos integrantes da LIP como ele trabalha e a impossibilidade de ter preços competitivos em relação aos grandes supermercados. Dos visitantes ele ouviu e gostou de propostas como, por exemplo, os cursos de educação financeira e finanças solidárias feitos pela Rede Paulista de Bancos Comunitários. Interessou-se pelas ideias de compras coletivas com outros comerciantes do bairro para baratear os preços e a criação de uma moeda social que circulasse apenas na região, beneficiando comerciantes e moradores locais.

Masafumi Saito, um dos responsável pelos projetos de Microfinanças da LIP, diz que essa é a primeira vez que a LIP visita Comunidades no Brasil, então primeiro vieram conhecer a realidade, as necessidades e os projetos. O objetivo da Living in Peace é dar oportunidades a todos, realizar educação financeira às famílias e oferecer microfinanciamentos. “Não é doação, mas crédito. Emprestar dinheiro a baixo custo. Estamos colhendo informações que vamos repassar aos investidores japoneses e tentar convencê-los a apoiar os projetos brasileiros”, explicou.
Ele destaca que os projetos que pleitearem o financiamento precisam beneficiar o coletivo (e não individual) e afirma que o crédito oferecido pela LIP não é um negócio pra ganhar dinheiro porque não tem fins lucrativos.

Os japoneses também visitaram um dos apartamentos conquistados através da mobilização social dos movimentos populares e comentaram sobre o tamanho das unidades (42m²) que é maior que boa parte dos apartamentos no Japão.

E conheceram a usina coletiva de geração de energia solar do Residencial Gramado, inaugurada em julho de 2025. O sistema custou R$ 22 mil e beneficia 108 famílias. O objetivo é reduzir o custo da energia elétrica das áreas comuns do condomínio e promover renda por meio da de módulos fotovoltaicos. Hoje o sistema proporciona redução de 40% a 50% na conta de luz. Para realizar a implantação do sistema, a comunidade da Viela da Paz participou dos cursos sobre energia solar e finanças solidárias promovidos pela Rede Paulista com o apoio do Fórum por Mudanças Climáticas e Justiça Climática, Rede TEP (Transição Energética Justa e Popular) e CERSA (Comitê de Energia Renovável do Semiárido) e Instituto Federal. Os equipamentos foram doados pela Misereor, com o compromisso de que, com a economia na conta da energia, os moradores constituam um fundo para ampliação do sistema solar. A Misereor é uma organização de bispos da Igreja Católica da Alemanha para a cooperação ao desenvolvimento e combate à pobreza na África, Ásia e América Latina.
A usina solar integra o Projeto Energia Solar Solidária da Rede Paulista de Bancos Comunitários em parceria com a Associação Sociedade Alternativa.

Adilsom Ferreira, diretor-executivo da Associação Sociedade Alternativa da Viela da Paz e diretor-financeiro da Rede Paulista, afirma que a visita foi importante e frutífera. Ele explica que a comunidade tem várias ideias em mente, como ampliar a miniusina no conjunto habitacional Gramado, expandir as cooperativas de energia solar para outros prédios e viabilizar o funcionamento do banco comunitário. Também citou a necessidade de criar uma cooperativa para a reciclagem de lixo.
Living in Peace
Fundada em 2007, a ONG japonesa Living in Peace atua principalmente com três diretrizes: projetos para crianças, projetos para refugiados e projetos de microfinanças. Também estão trabalhando em novas áreas que contribuem para a redução da pobreza por meio da igualdade de oportunidades e combate à pobreza relacionadas às mudanças climáticas.
Atuam dentro e fora do Japão. Por meio da criação de fundos de microfinanças em países em desenvolvimento, propiciam oportunidades de acesso financeiro a pessoas que vivem em situação de pobreza.
A LIP é uma entidade certificada e reconhecida pelo Governo Metropolitano de Tóquio e as doações para a organização são dedutíveis do imposto de renda japonês.
O encontro entre a DGRV (alemã) e a Living in Peace (japonesa) foi articulado pela Rede Paulista de Bancos Comunitários e aconteceu dia 30 de abril de 2026
A Rede Paulista BCDs organizou o encontro entre as entidades DGRV (Deutscher Genossenschafts- und Raiffeisenverband e.V. – Confederação Alemã de Cooperativas) e a Living in Peace para que se conheçam, se aproximem e somem seus esforços com a Rede Paulista de Bancos Comunitários para viabilizar o financiamento de projetos elaborados pela Rede. De acordo com Hamilton Rocha, coordenador-executivo da Rede de Bancos Comunitários, como a DGRV já faz parceira em projetos de geração de energia solar solidária, é importante que a Living In Peace conheça nossos parceiros, nossa capacidade de articulação e a credibilidade dos projetos da Rede elaborados junto com as comunidades.

Pela primeira vez no Brasil, a Living in Peace (LIP) está prospectando projetos que possam receber financiamento com juros baixos, já que no Brasil os empréstimos bancários são inviáveis para as populações em situação de vulnerabilidade social. Para isso, os japoneses visitaram comunidades em São Paulo pra conhecer o que já foi feito a partir da Rede Paulista de Bancos Comunitários e os projetos que poderão ser apoiados. Tomomi Sasaki conta que a entidade atua pelo desenvolvimento econômico de pessoas de baixa renda, ajudando as populações de países como Mianmar, Camboja, Quênia e agora, o Brasil. Eles trabalham com microcréditos a juros baixos, cujo dinheiro é captado a partir de doadores e investidores japoneses.

Hamilton Rocha explicou à LIP que os moradores das comunidades pobres têm muita dificuldade de juntar dinheiro para que possam devolver o financiamento tomado. Mas existem caminhos pra resolver a questão. “Um dos exemplos que demos foi o financiamento para a aquisição de placas solares de uso coletivo. O dinheiro que se economiza com a conta de luz é que vai servir para garantir o financiamento das próprias placas e equipamentos que se comprou com o empréstimo”.

Priscilla Orsi, da DGRV, explica que a entidade alemã tem entre os projetos de cooperativismo no Brasil, um que é voltado à criação de cooperativas de energia renovável. E uma das fontes de financiamento para este propósito é o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). “Nós trouxemos então a proposta de trabalhar no territórios vulneráveis na periferia de São Paulo e assim procuramos a Rede para nos ajudar nesse processo de entrar em contato com as bases nos territórios e, agora, com a Living in Peace, pra somar nos projetos.”

A verba do BID que vem através da DGRV sempre financia metade do valor do projeto. Os restantes 50% devem ser completados pela própria cooperativa ou associação contemplada. Neste sentido, a Living in Peace pode ser o parceiro que faltava, para completar o financiamento às comunidades com baixa capacidade de poupança das populações em situação de vulnerabilidade social.
“Estamos procurando juros mais baixos e uma linha de crédito que entenda a realidade social e econômica das comunidades brasileiras. Então, fazemos isso para facilitar as iniciativas dos empreendimentos que a gente quer fazer nas periferias”, finaliza Hamilton Rocha.
Living in Peace

Fundada em 2007, a ONG japonesa Living in Peace atua principalmente com três diretrizes: projetos para crianças, projetos para refugiados e projetos de microfinanças. Também estão trabalhando em novas áreas que contribuem para a redução da pobreza por meio da igualdade de oportunidades e combate à pobreza relacionadas às mudanças climáticas.
Atuam dentro e fora do Japão. Por meio da criação de fundos de microfinanças em países em desenvolvimento, propiciam oportunidades de acesso financeiro a pessoas que vivem em situação de pobreza.
A LIP é uma entidade certificada e reconhecida pelo Governo Metropolitano de Tóquio e as doações para a organização são dedutíveis do imposto de renda japonês.
DGRV

A DGRV – Confederação Alemã de Cooperativas é a organização do setor cooperativo que tem como objetivo desenvolver, promover e representar os interesses os membros e instituições cooperativas filiadas.
Fora da Alemanha, a entidade promove a cooperação internacional e a criação e o fortalecimento de estruturas de cooperação sustentáveis.
No Brasil a DGRV atua na promoção de cooperativas sustentáveis, principalmente no Pará e Paraná. O objetivo é apoiar comunidades desfavorecidas (especialmente pequenos agricultores), melhorando o acesso aos mercados e possibilitando a geração e o uso de energia renovável comunitária a preços acessíveis.
Rede Paulista de Bancos Comunitários

É uma entidade sem fins lucrativos que atua com o objetivo de articular, promover, formar e trocar experiências no setor de finanças solidárias, visando o fortalecimento e a expansão dos Bancos Comunitários de Desenvolvimento Local. Desde o início de 2023 a Rede Paulista também têm se dedicado à energia solar solidária como forma de melhorar a formação profissional e a qualidade de vida das comunidades.
A Rede foi criada em 2020 a partir da articulação de Bancos Comunitários já existentes e de organizações sociais interessados em construir e fortalecer Bancos Comunitários, espalhados em bairros e comunidades no Estado de São Paulo.
Entre os objetivos estão:
- Formação continuada na área de educação financeira;
- Desenvolvimento e fortalecimento, com transparência, de moeda social eletrônica;
- Desenvolvimento de modelo de empreendimento cooperativo e solidário em diversos setores;
- Construção de redes e cadeias produtivas de valor agregado a partir de empreendimentos solidários estratégicos em cada comunidade.
- Fomento, criação e expansão de Bancos Comunitários no Estado;
- Incentivo a formação, articulação e troca de conhecimento nos territórios.
A iniciativa é do Fórum Permanente de Economia Criativa do Município de Piracicaba, proposto pela vereadora Silvia Morales (PV), do mandato coletivo A Cidade é Sua
A economia criativa é importante porque “sai do modelo tradicional e propicia maior inserção de produtores locais, produtores culturais, são temas ligados a desafios contemporâneos, traz visibilidade ao temas, startups e outros. Então, é bem importante que a gente esteja aqui dentro dessa casa de leis, fazendo esse debate”, disse a vereadora, na abertura dos trabalhos, realizado no dia 22 de abril de 2026, na Câmara Municipal de Piracicaba, interior de São Paulo.

A economia criativa é dividida em três setores: Consumo, Cultura e Tecnologia. “A área de consumo foi definido como arquitetura, design a área editorial, moda e publicidade. A área da cultura contempla artes cênicas, artes visuais, atividades artesanais, cinema, rádio e TV, museus e patrimônio e música. E a tecnologia engloba Tecnologia de Informação e Desenvolvimento de Software e jogos digitais” , afirma Débora de Paula Rodrigues – analista sênior do Sebrae (Serviço Brasileiro de apoio às Micro e Pequenas Empresas) de Piracicaba.

No Brasil a economia criativa representa 3,11% do PIB, 7% dos empregos e realizada em 97% dos casos, por micro e pequenas empresas e MEIS – Micro-empreendedores Individuais, explica a Gestora de Projetos de Empreendedorismo Feminino, Inclusão Produtiva e Economia Criativa do Sebrae Piracicaba.
Na palestra, Hamilton Rocha, da Rede Paulista de Bancos Comunitários, explicou que existe conexão entre a economia criativa e as finanças solidárias porque ambas são mais eficientes em trabalhos coletivos, cooperativas, associações. Ele explica que o objetivo da Rede é articular e formar grupos que já existem, na área de finanças solidárias, que é um setor aparentemente novo, mas que na verdade é exercido desde antes da República (1889).
As finanças solidárias, explica, são usadas por imigrantes judeus, japoneses, italianos que organizam fundos coletivos – a famosa caixinha. “Esse sistema é um sistema popular de Finanças de Economia, onde você guarda o dinheiro para usar para um objetivo concreto. No caso de um banco comunitário, o dinheiro é usado para “fomentar o desenvolvimento econômico social no território. A gente entende que para funcionar, um banco comunitário precisa trabalhar num território onde haja uma relação de confiança. Isso é um elemento determinante para essa economia funcionar.”

Pilares das finanças solidárias
O banco comunitário trabalha com três pilares principais:
- Fundo Rotativo Solidário
- crédito com juros muito baixos e
- moeda social
“O pilar fundamental é o fundo rotativo solidário, que é um fundo de crédito criado pela própria comunidade. É quem junta esse dinheiro para emprestar o dinheiro para o seu grupo que faz que faz o que precisa do crédito. Então, a ideia desse fundo é criar essa relação de confiança, criar esse grupo para poder gerar essa esse dinheiro e facilitar tanto crédito de consumo como crédito produtivo?
O outro pilar importante é o sistema de crédito com juros muito baixos, onde a gente trabalha com juros de zero, um, dois ou três por cento, porque esse juros, na verdade não tem objetivo de enriquecer ninguém. O objetivo é só corrigir o valor do dinheiro para não desvalorizar diante da inflação.
E o terceiro pilar é a moeda social, que é um elemento diferenciador do banco comunitário. Então o banco comunitário a partir de um acordo com o Banco Central, pode criar uma moeda que circula no território, numa população nunca superior a 65 mil pessoas”, explica.
E todo esse sistema é possível de acontecer? Sim, de acordo com o representante da Rede Paulista. Ele dá como exemplo o município fluminense de Maricá. Durante a pandemia a cidade usou a moeda social Mumbuca e, enquanto no Brasil houve queda no consumo, lá aconteceu “incremento de 15% na atividade econômica no território. Por quê? Porque eles pagaram benefícios sociais com a moeda social para uso exclusivamente no município. Então, isso fortaleceu comerciantes, fortaleceu o comércio de uma forma geral e manteve o dinheiro na comunidade. Com isso a gente pôde demonstrar a eficácia da moeda social para o desenvolvimento econômico local”, completou Hamilton Rocha.
As atividades da Semana Municipal da Criatividade e Inovação e do Dia Mundial da Criatividade e Inovação (World Creativity and Innovation Day) se encerraram na sexta-feira, dia 24 de abril, com uma roda de conversa sobre inovação no setor público, abordando os temas “IEG-M e Observatório do Futuro: como os municípios paulistas podem inovar para avançar positivamente na Agenda de Desenvolvimento Sustentável”, “Contribuições caipiras para a Agenda 2030” e “Sistema Sentry SOS – Muralha Digital”.
alunos já se mobilizam para criar uma associação ou cooperativa de energia solidária
O campus Cotia do Instituto Federal ainda está em implantação, mas recebeu o curso de noções básicas de energia fotovoltaica. Os alunos puderam aprender, na prática, como é o esquema de montagem do sistema e ver uma pequena placa solar gerando energia elétrica.
Esse foi o último dia do curso de extensão sobre energia solar solidária em Cotia, que teve aulas online e presenciais. Muitos dos alunos chegaram com a ideia de instalar um sistema individual, mas Walmeran Trindade Júnior, professor de engenharia elétrica do Instituto Federal da Paraíba, convenceu a maioria dos alunos que implantar um sistema coletivo de geração de eletricidade é mais viável, solidário e barateia o custo.

A consultora de sistema Larissa Silva admite que chegou no curso “com uma visão pequena de suprir a própria necessidade de energia e no máximo expandir para os vizinhos”. Mas as aulas deram uma nova visão, que foi a criar uma associação ou cooperativa e ampliar o benefício para mais pessoas.

O painel fotovoltaico é um equipamento moderno e inovador, acredita o psicopedagogo Airton Alexadre (mais conhecido como Tebas). Como ele gosta de acompanhar a evolução da ciência, acabou atraído pelo curso de noções de básicas de energia solar. Pretende se aprofundar no assunto e trabalhar no ramo. Mas também quer ajudar as pessoas mais vulneráveis da cidade de Cotia, na Grande São Paulo, a formarem cooperativas para implantarem o sistema, se beneficiarem da redução da conta de luz e, quem sabe, até formar novos técnicos capazes de instalar as placas.

Hamilton Rocha, da coordenação-executiva da Rede Paulista de Bancos Comunitários, afirma que o “trabalho coletivo faz com que a gente consiga ter uma soma de habilidades e recursos que reduz o tempo para desenvolver esses projetos”, por isso é fundamental unir as pessoas num só objetivo.
No sábado, dia 31 de janeiro, aconteceu nova reunião no IF Cotia entre alunos do curso e a Rede Paulista, e ficou decidida a constituição de uma entidade com o objetivo de instalar painéis fotovoltaicos comunitários.

As aulas aconteceram em salão da Paróquia Nossa Senhora da Esperança nos dias 27 e 29 de janeiro de 2026
Um painel solar do tamanho de uma porta é o modelo padrão que é instalado nos telhados das casas. Mas são necessárias diversas dessas placas para que haja uma substancial economia na conta de luz, que poderia chegar a até 95%. No curso, que contou com a presença de 20 pessoas, o professor Walmeran Trindade Júnior, professor de engenharia elétrica do Instituto Federal da Paraíba, mostrou na prática como elas funcionam, como conectar uma série desses painéis e a vantagem de um grupo de moradores se unir para montar uma pequena usina solar de eletricidade. Entre as vantagens está o barateamento da compra dos equipamentos e resolve o problema do espaço físico onde podem ser instalados os painéis, já que diversos telhados podem ser compartilhados.

A assistente social Claudilene Rodrigues das Virgens veio, inicialmente, por curiosidade. Mas se entusiasmou pela ideia de gerar eletricidade coletivamente. E também achou fundamental que o curso dê atenção especial às mulheres, que podem se especializar em energia solar para instalar as placas em outras localidades.
Um dos objetivos da parceria do Instituto Federal com a Rede Paulista de Bancos Comunitários e a paróquia é oferecer cursos de extensão, ou seja, estar nas comunidades, e não apenas dando aulas dentro da instituição, explica Denilza da Silva Prado, diretoria do campus Jardim Ângela do Instituto Federal de São Paulo. Ela lembra que ano passado foi dado um curso de elétrica e agora de noções básicas de energia solar. É uma forma de educação, cooperativismo, solidariedade e que cria um elo entre os moradores do bairro entre si e com o IF.

Padre José Wilson de Souza foi quem abriu as portas da igreja para diversos cursos. Ele acha que é fundamental dar formação aos moradores do região para que possam procurar uma profissionalização que gere renda.
Josileine Vieira da Silva, auxiliar de saúde bucal, já tinha feito o curso de eletricidade de baixa tensão e agora o de energia solar. Ela acha muito interessante a ideia da união de moradores para baratear a compra dos painéis, que não é tão barato, e economizar na conta de luz.
O que um não consegue sozinho, conseguimos juntos, diz Camila Japp, diretora da Confederação Alemã das Cooperativas (DGRV). A união popular pode gerar desenvolvimento comunitário, por isso a entidade está nessa parceria, oferecendo assessoria, já que a Alemanha tem grande experiência em cooperativismo, inclusive com 900 cooperativas de geração de energia solar.
Para sobreviver no mundo atual, as pessoas precisam de alimento, água e eletricidade. E para satisfazer essas necessidades é preciso ter dinheiro, comenta Hamilton Rocha, da coordenação-executiva da Rede Paulista de Bancos Comunitários. Nesse sentido, o curso de noções sobre energia solar pretende despertar na comunidade a consciência de que uma ação coletiva pode gerar trabalho, renda e economia na conta de luz. E com a experiência acumulada, a Rede Paulista pretende expandir as atividades para outros territórios, difundindo a ideia da energia solar solidária, dos bancos comunitários e das finanças solidárias.

Rede Paulista de Bancos Comunitários, DGRV e CERSA se reuniram para fundamentar as bases do projeto “Comunidades Urbanas Energéticas”
O projeto “Comunidades Urbanas Energéticas” é uma ideia que pretende apoiar a implantação de usinas solares em comunidades urbanas em situação de vulnerabilidade social e econômica.
Pelo plano, a DGRV (Confederação Alemã de Cooperativas) se compromete com o aporte de 50% do investimento e a outra metade fica a cargo do grupo comunitário interessado na instalação da usina solar. A condição desse empréstimo é que o valor seja devolvido a um Fundo Rotativo Solidário, que servirá para impulsionar novos projetos solares nas comunidades interessadas.

Além da energia solar, o fundo pode ajudar a financiar projetos cooperativos ou associativos de empreendimentos que visem melhorar a renda das famílias nas comunidades.
O apoio do CERSA (Comitê de Energias Renováveis do Semiárido) é fundamental na troca de conhecimentos, já que possui experiência de anos na constituição de cooperativas e grupos para implantação de usinas solares no semiárido nordestino.
E a Rede Paulista de Bancos Comunitários, além de assessoria e coordenação dos grupos, ajuda na constituição dos fundos Rotativos.
Algumas turmas que participaram dos cursos de formação sobre energia solar estão se organizando para participar deste ambicioso projeto.
DGRV

A DGRV – Confederação Alemã de Cooperativas é a organização do setor cooperativo que tem como objetivo desenvolver, promover e representar os interesses os membros e instituições cooperativas filiadas.
Fora da Alemanha, a entidade promove a cooperação internacional e a criação e o fortalecimento de estruturas de cooperação sustentáveis.
No Brasil a DGRV atua na promoção de cooperativas sustentáveis, principalmente no Pará e Paraná. O objetivo é apoiar comunidades desfavorecidas (especialmente pequenos agricultores), melhorando o acesso aos mercados e possibilitando a geração e o uso de energia renovável comunitária a preços acessíveis.
CERSA

O CERSA – Comitê de Energias Renováveis do Semiárido – é um coletivo fundado em julho de 2014, focado em promover a energia solar descentralizada no semiárido brasileiro. Atuando com organizações, pesquisadores e colaboradores, o comitê destaca o potencial da energia solar na região, almejando justiça social, sustentabilidade e combate às mudanças climáticas. A entidade implementou mais de 40 sistemas fotovoltaicos na Paraíba, tornando-se referência nacional em energia solar solidária.
Rede Paulista de Bancos Comunitários

É uma entidade sem fins lucrativos que atua com o objetivo de articular, promover, formar e trocar experiências no setor de finanças solidárias, visando o fortalecimento e a expansão dos Bancos Comunitários de Desenvolvimento Local. Desde o início de 2023 a Rede Paulista também têm se dedicado à energia solar solidária como forma de melhorar a formação profissional e a qualidade de vida das comunidades.
A Rede foi criada em 2020 a partir da articulação de Bancos Comunitários já existentes e de organizações sociais interessados em construir e fortalecer Bancos Comunitários, espalhados em bairros e comunidades no Estado de São Paulo.
Entre os objetivos estão:
- Formação continuada na área de educação financeira;
- Desenvolvimento e fortalecimento, com transparência, de moeda social eletrônica;
- Desenvolvimento de modelo de empreendimento cooperativo e solidário em diversos setores;
- Construção de redes e cadeias produtivas de valor agregado a partir de empreendimentos solidários estratégicos em cada comunidade.
- Fomento, criação e expansão de Bancos Comunitários no Estado;
- Incentivo a formação, articulação e troca de conhecimento nos territórios.
atividade aconteceu presencialmente nos dias 24 e 25 de janeiro de 2025 no Jardim Tonato
O sol é uma energia gratuita, infinita e ambientalmente limpa, comenta o professor Walmeran Trindade Júnior, professor de engenharia elétrica do Instituto Federal da Paraíba. E a compra dos painéis fotovoltaicos para gerar eletricidade acaba se pagando através da própria economia que ela gera na conta de energia. Ele explica que ao instalar e ligar essas placas à rede elétrica da concessionária, no caso a Enel, um relógio especial calcula quanto o painel solar está gerando de eletricidade e essa produção se transforma em desconto na conta.

Além das aulas em local fechado, alunos e moradores do bairro puderam ver o funcionamento real, na prática, de placas fotovoltaicas de diferentes tamanhos e potências. As atividades experimentais ocuparam as ruas do Jardim Tonato e despertaram curiosidade. Mesmo com o dia nublado, o professor Walmeran demonstrou que os painéis foram capazes acender uma lâmpada led e acionar um pequeno motor.

A vendedora Cristiane Pereira Amador ficou interessada na ideia de instalar painéis fotovoltaicos coletivos no Jardim Tonato (Carapicuíba). Ela destaca que um projeto comunitário é importante para unir forças e baratear custos de aquisição das placas. E além de reduzir a conta de luz, ela também destacou que o projeto valoriza a mulher da comunidade, que pode ter uma renda extra se o projeto se expandir.

Para tentar criar um grupo de moradores que se junte para comprar e instalar esses pai
néis fotovoltaicos, a Associação Jardim Tonato fez parceria com a Rede Paulista de Bancos Comunitários, o Instituto Federal de São Paulo e a DGRV – Confederação Alemã das Cooperativas para trazer esse curso para o bairro. Pedrina de Sousa da Silva secretária-geral da Associação, afirma que o objetivo é trazer economia na conta de luz e dar empoderamento para as mulheres, que são excluídas do mercado de trabalho.
Um dos problemas é quebrar a barreira financeira, já que os painéis não são baratos. Os valores podem varia de R$ 6 mil a R$ 25 mil, dependendo de modelos e potências. Mas Adilsom Aparecido Ferreira diretor-financeiro da Rede Paulista, afirma que se um grupo de moradores se unir, o custo barateia e viabiliza a compra. Até por isso são fundamentais esses cursos de noções sobre energia solar para esclarecer dúvidas e tentar unir a comunidade no objetivo de instalar as placas.

As aulas são uma parceria entre Rede Paulista de Bancos Comunitários, Associação Comunitária Tonato e Confederação das Cooperativas da Alemanha (DGRV).
O curso realizado no Jardim Tonato, bairro da cidade de Carapicuíba, na Grande São Paulo, abordou os princípios básicos do cooperativismo e a possibilidade de impulsionar a criação de empreendimentos solidários baseados no cooperativismo para superar as dificuldades econômicas e sociais que impactam a comunidade.


Após o curso, que aconteceu no dia 4 de dezembro de 2025, o grupo definiu alguns encaminhamentos relativos à implantação de um projeto de energia solar em parceria com a DGRV:
– Arrecadação de fundos para o projeto através de atividades coletivas de arrecadação, como rifas e bingos;
– Divulgar a realização de um curso sobre Energia Solar Solidaria que se realizará em janeiro de 2026.
– Iniciar a discussão, na comunidade, de como viabilizar o projeto de implantação de painéis solares em uma das casas de morador do grupo.
– Fortalecer um fundo rotativo para o financiamento do projeto de energia solar.
