A iniciativa é do Fórum Permanente de Economia Criativa do Município de Piracicaba, proposto pela vereadora Silvia Morales (PV), do mandato coletivo A Cidade é Sua
A economia criativa é importante porque “sai do modelo tradicional e propicia maior inserção de produtores locais, produtores culturais, são temas ligados a desafios contemporâneos, traz visibilidade ao temas, startups e outros. Então, é bem importante que a gente esteja aqui dentro dessa casa de leis, fazendo esse debate”, disse a vereadora, na abertura dos trabalhos, realizado no dia 22 de abril de 2026, na Câmara Municipal de Piracicaba, interior de São Paulo.

A economia criativa é dividida em três setores: Consumo, Cultura e Tecnologia. “A área de consumo foi definido como arquitetura, design a área editorial, moda e publicidade. A área da cultura contempla artes cênicas, artes visuais, atividades artesanais, cinema, rádio e TV, museus e patrimônio e música. E a tecnologia engloba Tecnologia de Informação e Desenvolvimento de Software e jogos digitais” , afirma Débora de Paula Rodrigues – analista sênior do Sebrae (Serviço Brasileiro de apoio às Micro e Pequenas Empresas) de Piracicaba.

No Brasil a economia criativa representa 3,11% do PIB, 7% dos empregos e realizada em 97% dos casos, por micro e pequenas empresas e MEIS – Micro-empreendedores Individuais, explica a Gestora de Projetos de Empreendedorismo Feminino, Inclusão Produtiva e Economia Criativa do Sebrae Piracicaba.
Na palestra, Hamilton Rocha, da Rede Paulista de Bancos Comunitários, explicou que existe conexão entre a economia criativa e as finanças solidárias porque ambas são mais eficientes em trabalhos coletivos, cooperativas, associações. Ele explica que o objetivo da Rede é articular e formar grupos que já existem, na área de finanças solidárias, que é um setor aparentemente novo, mas que na verdade é exercido desde antes da República (1889).
As finanças solidárias, explica, são usadas por imigrantes judeus, japoneses, italianos que organizam fundos coletivos – a famosa caixinha. “Esse sistema é um sistema popular de Finanças de Economia, onde você guarda o dinheiro para usar para um objetivo concreto. No caso de um banco comunitário, o dinheiro é usado para “fomentar o desenvolvimento econômico social no território. A gente entende que para funcionar, um banco comunitário precisa trabalhar num território onde haja uma relação de confiança. Isso é um elemento determinante para essa economia funcionar.”

Pilares das finanças solidárias
O banco comunitário trabalha com três pilares principais:
- Fundo Rotativo Solidário
- crédito com juros muito baixos e
- moeda social
“O pilar fundamental é o fundo rotativo solidário, que é um fundo de crédito criado pela própria comunidade. É quem junta esse dinheiro para emprestar o dinheiro para o seu grupo que faz que faz o que precisa do crédito. Então, a ideia desse fundo é criar essa relação de confiança, criar esse grupo para poder gerar essa esse dinheiro e facilitar tanto crédito de consumo como crédito produtivo?
O outro pilar importante é o sistema de crédito com juros muito baixos, onde a gente trabalha com juros de zero, um, dois ou três por cento, porque esse juros, na verdade não tem objetivo de enriquecer ninguém. O objetivo é só corrigir o valor do dinheiro para não desvalorizar diante da inflação.
E o terceiro pilar é a moeda social, que é um elemento diferenciador do banco comunitário. Então o banco comunitário a partir de um acordo com o Banco Central, pode criar uma moeda que circula no território, numa população nunca superior a 65 mil pessoas”, explica.
E todo esse sistema é possível de acontecer? Sim, de acordo com o representante da Rede Paulista. Ele dá como exemplo o município fluminense de Maricá. Durante a pandemia a cidade usou a moeda social Mumbuca e, enquanto no Brasil houve queda no consumo, lá aconteceu “incremento de 15% na atividade econômica no território. Por quê? Porque eles pagaram benefícios sociais com a moeda social para uso exclusivamente no município. Então, isso fortaleceu comerciantes, fortaleceu o comércio de uma forma geral e manteve o dinheiro na comunidade. Com isso a gente pôde demonstrar a eficácia da moeda social para o desenvolvimento econômico local”, completou Hamilton Rocha.
As atividades da Semana Municipal da Criatividade e Inovação e do Dia Mundial da Criatividade e Inovação (World Creativity and Innovation Day) se encerraram na sexta-feira, dia 24 de abril, com uma roda de conversa sobre inovação no setor público, abordando os temas “IEG-M e Observatório do Futuro: como os municípios paulistas podem inovar para avançar positivamente na Agenda de Desenvolvimento Sustentável”, “Contribuições caipiras para a Agenda 2030” e “Sistema Sentry SOS – Muralha Digital”.


