Evento aconteceu na Viela da Paz, em São Paulo, onde interessados também puderam conhecer a microusina de energia solar e o fundo rotativo solidário da comunidade
São Paulo, 17 de outubro de 2026
A Rede Paulista de Bancos Comunitários lançou o Programa Fundo Solar Solidário. Essencialmente, é um projeto comunitário, em que o associado usa os créditos de energia produzidos por uma microusina solar sem precisar instalar painéis no seu próprio imóvel. A primeira usina solar, instalada pela Rede Paulista, terá capacidade de gerar 9 kWp e beneficiará seis famílias. Uma das características da novidade é que esse fundo se dará por adesão. Por este modelo, o associado adere ao serviço de fornecimento de energia solar e obtém um desconto na conta de eletricidade de pelo menos 20%, podendo chegar a 50% de abatimento ao fim de 60 meses de contribuição. Para entrar no sistema a taxa de adesão por residência é um valor único de R$300,00, que poderá ser parcelado. O mais importante deste projeto é que o Fundo Solidário Solar e o Projeto Comunidades Solares da Rede Paulista de Bancos Comunitários não são apenas um projeto de energia solar. É um modelo comunitário de inclusão energética, geração de renda e desenvolvimento local sustentável, onde cada usina ajuda a financiar a próxima, criando uma rede crescente de famílias beneficiadas – ao mesmo tempo que o associado recebe um desconto na conta de luz, ele contribui de forma solidária com a geração de energia solar e para que outras pessoas possam ter o mesmo benefício.
A parceira DGRV (Confederação Alemã de Cooperativas) participará do projeto, financiando a compra dos equipamentos para a instalação da primeira microusina solar da Rede Paulista de Bancos Comunitários. A partir desta primeira usina o projeto pretende se tornar auto-sustentável financeiramente.

Pelo novo desenho, as famílias não precisam estar no mesmo bairro – podem estar a quilômetros de distância e até em outros municípios, desde que sejam atendidas pela mesma concessionária de eletricidade. Os equipamentos serão adquiridos pela Rede Paulista que se responsabilizará pela gestão de todo o projeto. Cada novo filiado participará coletivamente da gestão da usina solar através de Comitês Gestores, promovendo assim a autogestão da geração compartilhada.
“A ideia é ter esse experimento, fazer com que esse experimento dê certo e a partir daí poder expandir um modelo robusto para as comunidades, para que elas tenham segurança de que esse modelo é eficaz”, explica Hamilton Rocha, coordenador executivo da Rede Paulista de Bancos Comunitários.

Além da geração de energia limpa e do desconto na conta, o associado contribui com um fundo que será usado para manutenção, expansão e implantação de novas usinas comunitárias. Parte desse dinheiro deste primeiro projeto ajudará na implantação do projeto seguinte e assim sucessivamente.
Hamilton esclarece que na primeira tentativa anterior da Rede Paulista, a proposta era dirigida às comunidades, que autonomamente constituíam o próprio fundo solar. Mas existe uma dificuldade de elas mesmas criarem e ampliarem o valor deste fundo e dar andamento à aquisição, gestão, instalação e manutenção, sem passar por um longo período de experiência e formação. “Então a gente decidiu criar esse sistema onde a gente pode construir uma adesão individual para participar de um coletivo, e a partir dessa experiência desse coletivo poder capilarizar a ideia do coletivo nas comunidades.”

“Esse outro sistema é melhor porque dá para fazer com menos pessoas e a gente vai ter um investimento inicial baixo, só para adesão, e depois é tudo desconto na conta de luz. É como se não fosse sair nada do nosso bolso, é o desconto que a gente vai ter na conta de luz com a economia por causa dos painéis solares. E vai gerar essa renda que vai dar uma oportunidade para beneficiar os próximos grupos também. É uma coisa solidária, comunitária, diz Idiana Aparecida de Oliveira, que é técnica em eventos mas está estudando para trabalhar como instaladora de painéis solares.

A aposentada Rosana Cardoso de Brito conheceu a proposta anterior e a apresentada agora. Ela achou interessante porque na ideia anterior, a de fazer uma associação própria, estava barrando na questão financeira e estava mais difícil, já que “o valor que cada pessoa teria de investir, mesmo com a ajuda do Banco Comunitário, seria complicado”. Já a proposta de adesão “fica mais fácil porque a gente não vai ter que formar inicialmente uma associação. E também, só vamos ter um valor de adesão, que é pequeno, pode ser parcelado, e pagar a partir do desconto na conta. Então, eu acho que vai ser muito mais fácil da gente conseguir um grupo de pessoas para ter, finalmente, a energia solar.”

Também aposentada, Maria Ericelda Fernandes Borges, achou o projeto de adesão mais provável de conseguir sucesso e ir pra frente. Ela afirma que o desconto será menor do que poderia ser na proposta anterior, mas é mais barato e descomplicado de participar. “Agora é, mais fácil. Agora a gente tem de ir à luta né? As pessoas falam, falam, gostam da ideia, mas na hora “H”, mesmo… eu quero ter um grupo lá no meu bairro para a gente levar esse projeto para frente.”

O lançamento aconteceu no Conjunto Habitacional Viela da Paz, no Butantã, zona Oeste de São Paulo. No residencial os visitantes conheceram o sistema solar em funcionamento de um condomínio e o fundo solidário da Associação “Sociedade Alternativa”que atua no terrtírio há mais de 30 anos. Adilsom Ferreira, diretor financeiro da Rede Paulista e Presidente da Associação local, reforçou que a ideia agora é a adesão. “A diferença é que a aquisição do sistema completo (que era o projeto anterior) se torna mais onerosa, mais cara e mais demorada. Da forma que a gente está propondo aqui, a gente vai ter um acesso mais rápido a economia de energia. E um investimento realmente mais dentro do bolso. Então, inicialmente, o nosso cálculo é da pessoa ter pelo menos 20% de economia na sua conta atual. É o mínimo que a gente está vislumbrando nesse momento. E pela nossa expectativa, pode chegar até 50%.”

A analista ambiental Eliana Tenório do Carmo achou a nova proposta bem interessante. Pelo projeto anterior de a comunidade adquirir os próprios equipamentos estava complicado porque teriam que achar as pessoas, as pessoas teriam que formar uma comunidade, investir o dinheiro para depois o projeto chegar… Diferente desse projeto, que você vai economizar 20% na sua energia. E isso daí já é no ato que você adere ao projeto. Já é uma vantagem. E você vai pagar ao fundo, que tem a Rede Paulista de Bancos Comunitários que vai estar por trás do projeto. Então, acho que facilita por você já ter um sistema pronto. Essa é a diferença.”

Ela destaca que agora não é preciso investir praticamente nada. “O que a gente vai economizar com a energia, que a gente pagaria de todo jeito e cada vez mais para a companhia de energia, ela vai pagar para o sistema. E depois que terminar de pagar o sistema, que será em média de uns 5 anos, ela vai ter uma economia maior. Então, ela não vai perder, ela só vai ganhar. Então, vendo isso na prática, eu acho que torna mais fácil e ter uma economia mais rápida.”
O grande diferencial
Na proposta da Rede Paulista de Bancos, cada grupo beneficiado passa a financiar os próximos grupos, criando um sistema comunitário permanente de energia limpa. Após 60 meses, o Projeto 1 entra em fase de maturidade. No começo o filiado tem 20% de desconto na eletricidade e aporta 50% do valor da conta para o fundo. Depois de 5 anos a situação se inverte e o associado recebe 50% de abatimento da conta e contribui com 20% para o fundo. Ou seja, conforme o projeto amadurece, mais economia é transferida diretamente para as famílias, sem perder a capacidade de expansão. Quando o Projeto 1 reduz sua contribuição para 20%, o Projeto 2 já estará em operação contribuindo com 50%. “É um sistema robusto, capaz de gerar energia limpa, sustentável economicamente, fortalece a economia solidária, gera renda, promove a geração distribuída, a transição energética justa e popular e protege o planeta”, complementa o coordenador-executivo da Rede Paulista.

