O 12o. Fórum Social Pan-Amazônico (FOSPA) foi realizado entre 16 e 21 de agosto de 2026 em Puyo, no Equador
A exemplo de edições anteriores o Fórum aprovou o plano de ação do FOSPA que defende que a região amazônica seja livre “de mineração e hidrocarbonetos, garantir os direitos dos povos e da natureza, fortalecer a autodeterminação e a autonomia dos povos indígenas e proteger aqueles que defendem os territórios. Além disso, incorpora propostas para promover economias alternativas baseadas na soberania alimentar e na vida, avançar rumo à justiça climática, fortalecer as práticas de cuidado e defesa dos corpos e dos territórios e promover a participação ativa da juventude.”

O Fórum é espaço regional de articulação, diálogo e construção coletiva em defesa dos territórios, dos direitos coletivos, da natureza e da vida. Participaram das atividades cerca de 2.500 pessoas de 32 países (sendo nove as delegações de países amazônicos). Estiveram presentes povos indígenas, afrodescendentes, comunidades camponesas, montubias (população camponesa e mestiça do Equador) e quilombolas, organizações de mulheres e de jovens, a academia e organizações da sociedade civil de toda a Pan-Amazônia.

A Declaração Política de Puyuk começa denunciando que “Vivemos em tempos de um sistema capitalista global descontrolado, nunca antes visto na história mundial, e de uma multipolaridade competitiva até a morte, na qual o velho imperialismo norte americano em decadência e o Norte Global resistem a perder seu poder unipolar, utilizando principalmente seu poderio militar e político fascista, em uma reedição do Plano Condor na América Latina. Atualmente, na Pan-Amazônia, nos países amazônicos e em toda a América Latina, está em curso uma onda agressiva da extrema direita e do autoritarismo, impulsionada pelos poderes econômicos e geopolíticos e pelo imperialismo norte-americano, que ameaça e subjuga os países da região por meio de agressões de todo tipo contra os povos e a natureza.”

A Declaração é um manifesto dos povos da Pan-Amazônia que denuncia a crise climática e social causada pelo modelo extrativista e capitalista e propõe:
- Abandono do Extrativismo: Exige o fim da exploração de petróleo e mineração (cumprindo a Consulta do Yasuní), rejeição ao uso de mercúrio, defesa do conceito de Kawsak Sacha (Floresta Viva) e propõe o reconhecimento jurídico de territórios livres de extrativismo.
- Rejeição a Falsas Soluções: oposição ao mercado de carbono e trocas de dívida por natureza; exigem o perdão das dívidas públicas ilegítimas e defendem o financiamento climático não reembolsável direto às comunidades.
- Enfrentamento à Violência e ao Crime Organizado: Denuncia o avanço da extrema-direita, o avanço do narcotráfico, da mineração ilegal e da criminalização de ativistas, repudiando a militarização e exigindo a criação de redes de proteção e abrigos para defensores ambientais.
- Economias para a Vida: Defende o conceito de Kawsak Sacha (Floresta Viva) e propõe alternativas econômicas de base comunitária, focadas na agroecologia, na sustentabilidade dos ecossistemas e na soberania alimentar.
- Igualdade de Gênero e Protagonismo da Juventude: Destaca a relação entre a violência socioambiental e o machismo, exigindo a valorização da economia do cuidado e a inserção ativa de mulheres, povos indígenas, afrodescendentes, comunidades camponesas e jovens nas decisões políticas e governança territorial.
- Encaminhamentos: Solidariza-se com as vítimas de desastres na Colômbia, Peru e Venezuela, apoia as lutas de descolonização na Guiana Francesa, condena o genocídio na Palestina e convoca os movimentos para o XIII FOSPA, na Colômbia.

Apoio ao Brasil
Por fim, os participantes redigiram nota em apoio ao Brasil, pelos ataques que vem sofrendo de governo de extrema-direita:
Declaração do Comitê Internacional em apoio ao Brasil
Diante dos insultos dirigidos pelo presidente da Argentina ao presidente Lula do Brasil e dos atos hostis do governo Trump contra o governo e o povo brasileiros, nós, do Fórum Social Pan-amazônico, não temos dúvidas de que estamos testemunhando uma ofensiva orquestrada pela extrema direita internacional com o objetivo de interferir no resultado das próximas eleições no Brasil. De fato, essa aliança entre o imperialismo norte-americano e as forças de direita internas de cada nação ficou evidente em recentes processos eleitorais em toda a Pan-Amazônia e na América do Sul, onde impôs narrativas, fomentou o caos e distorceu os resultados. É evidente que está em andamento um plano de recolonização de nossos territórios, como demonstram a intervenção armada na Venezuela e o cerco a Cuba. Esse projeto de dominação se reflete diretamente na crescente agressão contra os territórios dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, no aumento dos feminicídios e dos ataques contra os corpos e a dignidade das mulheres, bem como na destruição desenfreada da natureza. À luz desses fatos e diante da necessidade urgente de conter essa onda reacionária, o Comitê Internacional do Fórum Social Pan-amazônico expressa publicamente sua solidariedade ao povo brasileiro e manifesta sua esperança de que as forças progressistas do Brasil triunfem nas próximas eleições presidenciais.

Rede Paulista apoia a resolução
“A defesa da Amazônia como território vivo, de seus habitantes e dos recursos naturais nela existentes devem ser preservados e protegidos das atrocidades que o sistema de lucro, que as multinacionais, o crime organizado e os governos marionetes da regiões querem empreender”, afirmou Hamilton Rocha, Coordenador-Executivo da Rede Paulista de Bancos Comunitários – que esteve presente em edições anteriores da FOSPA.
Para ele, as cidades e as comunidades destas regiões sofrem as consequências dessas políticas, tendo como resultado as ondas migratórias provocadas pela fome, a violação de terras e a destruição da biodiversidade – tão importante para manter o equilíbrio ambiental de todo o planeta. “Em milhares de pequenos, médios e grandes municípios das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e até mesmo na própria Região Amazônica, já sentimos os efeitos da destruição causados pelo agronegócio, mineração, derrubada e venda ilegal de madeira, poluição das águas e grilagem de terras. Temos que nos unir! não podemos ficar calados! Temos de nos articular e enfrentar este novo processo de destruição de nossos direitos e nossas conquistas. Por isso a aliança construída no FOSPA é estratégica”.


