Intersolar South America é a maior feira e congresso da América Latina para o setor solar
Mais de 680 empresas do setor de energia solar, armazenamento de energia, mobilidade eletrificada e gestão de energia participaram da Intersolar 2026, que aconteceu no Expo Center Norte, em São Paulo, entre os dias 25 e 27 de agosto.

Além das placas solares, neste ano tiveram destaque as baterias, desde as pequenas até as de grande capacidade de armazenamento, além dos equipamentos híbridos. O setor de geração de energia solar distribuída (quando o próprio consumidor gera sua eletricidade nos telhados de residências e comércios — ou por meio de miniusinas comunitárias, que atendem a mais de uma família) tem previsão de crescimento de 15% na potência instalada neste ano. Apesar da forte expansão, apenas cerca de 8% das unidades consumidoras (4,7 milhões) instalaram painéis fotovoltaicos, atendendo cerca de sete milhões de residências, indicando que mais de 90% do mercado potencial ainda não possui a tecnologia.
Na feira também ganharam destaque as estações de recarga de veículos. No Brasil, o mercado de carros elétricos cresceu 125% no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano passado e chama bastante a atenção das fabricantes.

Intersolar abriu espaço para o terceiro setor
Diversas ONGs (organizações não governamentais) ganharam estande na feira e essa é a terceira participação da Rede Paulista de Bancos Comunitários no evento. Além de trabalhar com finanças solidárias, a Rede também atua na implantação de energia solar em comunidades. “Desde o começo da nossa fundação, nós priorizamos a energia solar e a energia elétrica, de alguma maneira, como uma questão estratégica para dar dignidade para as pessoas nas comunidades em situação de vulnerabilidade social. Então, uma das estratégias que nós batalhamos é dar formação e dar recursos financeiros, através dos créditos, dos fundos rotativos e dos bancos comunitários, para financiar a compra de microusinas solares para implantar nas comunidades”, explica Hamilton Rocha, coordenador-executivo da entidade.

São dois os objetivos da Rede em participar da Intersolar:
- Fazer articulação com fornecedores, instituições e associações que queiram ajudar o projeto;
- Trazer as comunidades e alunos que participaram dos cursos para mostrar o tamanho da feira, os produtos e os serviços, para que todos conheçam as novidades e a cadeia produtiva do setor solar.
O eletricista André Ribeiro do Couto visitou o estande para entender essa relação entre a Rede Paulista de Bancos Comunitários e a energia solar. Para ele, acreditar numa iniciativa social (como a proposta pela Rede) pode gerar economia na conta de luz e, consequentemente, ganhos financeiros. Com mais dinheiro, pode-se melhorar a qualidade de vida, adquirir alimentos mais saudáveis e até substituir aparelhos antigos por eletroeletrônicos mais modernos e econômicos.
André gostou da ideia de que o investimento em microusinas seja feito coletivamente. “A partir do momento que nós moramos num país que tem uma incidência de sol tão grande e pouco é captado hoje em dia no nosso sistema, eu acho que essa ideia é maravilhosa e tem que ser difundida para todo e qualquer canto deste país, para que todos possam aderir e se beneficiar dessa fonte natural de energia… Eu acho que a gente é capaz, sim, de gerir o próprio recurso local onde nós vivemos. É uma questão de acreditar, botar fé e trabalhar em cima dessa ideia, que essa é a solução. O custo cai porque você vai conseguir gerar renda através dessa economia. Onde você gasta muito, você pode economizar e transformar isso em ganho, né?”, diz o eletricista.

Buscas na internet aumentam
Por causa dos custos da eletricidade, a busca na internet pelo termo “energia solar” teve crescimento de quase 53% no Google no Brasil e houve aumento de 46% nas buscas de preços de sistemas fotovoltaicos, diz levantamento da Bulbe, empresa do setor de energia solar. Isso mostra que o brasileiro está interessado em alternativas para baratear ou zerar a conta de luz.
Neste cenário, a Intersolar se firma como referência no setor fotovoltaico. Rodrigo Lopes Sauaia, Diretor Executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) e Presidente do Congresso Intersolar South America, diz que “o Congresso Intersolar continua a desempenhar um papel central na conversa sobre o futuro da energia solar no Brasil e na América Latina. Ele combina informações de mercado de alto nível, contatos estratégicos e oportunidades valiosas de negócios para empresas atuantes em todo o continente”.

Parceira da Rede Paulista, a DGRV – Confederação das Cooperativas Alemãs considera que a presença da Rede na Intersolar é importante na difusão da ideia de energia solar solidária. “A gente tem um desafio muito grande de realizar a transição energética no país, e realizar essa transição energética de maneira inclusiva, né? Para que todos possam se beneficiar dessa energia renovável e, com isso, beneficiar também a comunidade onde estão inseridos. E, para isso, a presença do banco comunitário é essencial para dar o suporte financeiro para que isso aconteça e possa ser replicado em outros lugares. Então, essa parceria da DGRV com a Rede Paulista de Bancos Comunitários é fundamental para que a gente garanta o acesso a essa tecnologia — ou seja, a comunidade que mais precisa, que está lá mais carente, tendo acesso e participando da transição energética no país”, diz Marco Olívio Morato de Oliveira, consultor de energia da DGRV.

Alunos compareceram
Nestes três dias, visitaram a feira diversos alunos dos cursos de noções sobre energia solar realizados pela Rede Paulista em parceria com o Instituto Federal-SP, a DGRV e o CERSA (Comitê de Energias Renováveis do Semiárido). A produtora de eventos Idiana Aparecida de Oliveira esteve na Intersolar e gostou de ver tanta coisa no mesmo espaço: “É bem amplo, tem bastantes novidades nessa área fotovoltaica, de baterias, de carros elétricos e de sistemas híbridos. É uma área que está em expansão, ainda mais agora com a questão da sustentabilidade.” Ela acredita que o trabalho da Rede Paulista de Bancos Comunitários possibilita o financiamento de uma microusina fotovoltaica com pequeníssima taxa de juros, o que ajuda bastante as pessoas de renda mais baixa.

“Eu vi na prática como funcionam alguns equipamentos — como, por exemplo, alguns que fazem a rotação de acordo com o sol, tendo um aproveitamento energético maior. Tem aqueles que são colocados de forma fixa, mas mais altos, então dá para aproveitar a parte de baixo e plantar alguma coisa… Então eu vejo (a energia solar) como uma oportunidade de negócio: a pessoa vai ter um investimento inicial, mas depois terá uma economia de energia”, acredita Eliana Tenório do Carmo, analista ambiental.

O coordenador-executivo da Rede afirma que as visitas são muito produtivas porque as pessoas aprendem de tudo e conhecem as inovações do setor. “Quando a gente circula pela feira e mostra os estandes, todos os equipamentos, os serviços e as experiências que as pessoas têm, isso enriquece muito quem comparece. Para nós, em particular, que fomentamos a auto-organização, a organização solidária, cooperativa ou coletiva, temos visto que aumenta o número de organizações e mesmo de pessoas interessadas em fomentar a energia solar, por exemplo, através de organizações cooperativas. Então, é algo muito interessante; enriquece muito quem participa da feira no sentido de voltar para casa com muito mais informação e vontade não só de instalar a placa solar, mas também de se auto-organizar para isso.”
Balanço da Rede na Intersolar

Hamilton comenta que a receptividade no estande foi muito boa e que houve excelentes contatos com empresas e entidades. “A gente visitou empresários que têm interesse em fazer parcerias para atuar nas comunidades, no setor de instalação, os integradores, cooperativas que têm usinas solares e o pessoal que está propondo energia solar por assinatura. Muita gente está procurando parceria, gosta do trabalho que nós fazemos nas comunidades e quer evoluir. Até gente que quer montar banco comunitário na sua cidade apareceu.” A Rede Paulista de Bancos Comunitários espera continuar na Intersolar nos próximos anos para que “a feira seja um marco para aumentar a implantação de unidades solares nas comunidades e que, efetivamente, as populações em situação de vulnerabilidade tenham acesso a essa tecnologia para melhorar a condição de vida.”


