O curso encerrou-se com sucesso. Foram três aulas online, duas presenciais e visitas a uma empresa do setor de energia solar e ao laboratório de Energia Solar Fotovoltaica, no IFSP campus Guarulhos
Através do curso, a analista ambiental Eliana Tenório do Carmo (que se inscreveu pelo campus Cotia do Instituto Federal SP) compreendeu que a união de um grupo para montar uma miniusina solar é fundamental “porque, se uma pessoa não consegue adquirir uma placa solar sozinha, ela consegue se juntar com outras pessoas e pode investir num conjunto de placas. Quanto maior for a quantidade de pessoas que investirem juntas, mais elas vão conseguir ter” disse.

Ela gostou do curso: “aprender sobre energia solar e aprofundar esses conhecimentos era uma coisa que eu estava buscando. Então, no primeiro momento que eu vi a inscrição, eu já não pensei duas vezes, me inscrevi. E adorei, tanto a estrutura quanto os professores, a dinâmica, o ensino… E por ser voltado para a comunidade, de ser voltado para essa parte social que eu gosto bastante, então eu acho melhor ainda, né?”, complementou Eliana.

Na quarta-feira, dia 29 de julho de 2026, encerrou-se o 9º. Curso de Noções em Energia Solar Solidária, realizado pela Rede Paulista de Bancos Comunitários em parceria com o Instituto Federal, DGRV (Confederação das Cooperativas da Alemanha) e CERSA (Comitê de Energias Renováveis do Semiárido). Cerca de 170 pessoas se inscreveram para as aulas, que empolgou alunos, educadores, empresas e parceiros, mobilizou lideranças comunitárias de várias partes do Estado e exibiu uma ampla diversidade social, demonstrando que a Energia Solar, combinada com as Finanças Solidárias, começa a gerar interesse em diferentes camadas da sociedade.

Luís Henrique Paiva é contador e veio através do campus Franco da Rocha. Pra ele, a ideia da energia solar coletiva é inovadora. ”Quando a gente fala na energia solar em comum, em conjunto com a comunidade, a gente consegue apropriar um pouco dessa energia da natureza e compartilhar com a própria comunidade, diminuindo o valor da conta e da própria aquisição dos equipamentos. Então, acho que fica muito mais interessante essa avaliação , esse projeto e esse trabalho que podemos fazer com a energia solar.”
O estudante Ailton Ferreira Amorim também ficou interessado na difusão da ideia de uma ação coletiva em prol das miniusinas solares solidárias: “é muito importante, principalmente nas comunidades mais vulneráveis, porque os jovens hoje pensam muito no individualismo. Nós temos que mostrar que o coletivo unido tem mais força, é democrático e melhor, porque ele consegue, uma força maior, ele consegue uma expressão maior na hora da reivindicação.”
Inscrito pelo campus Diadema, ele achou o curso muito rico, esclarecedor e abriu a mente para uma nova possibilidade de conseguir energia solar e barateamento da conta de luz, que é através da solidariedade, do associativismo e cooperativismo. “As aulas mostraram experiências reais que já existem no Brasil como, por exemplo, em São Paulo, no Nordeste. Não é uma coisa fictícia, é uma realidade que já acontece. Então, que sejamos multiplicadores dessa proposta de energia solar solidária”.

E esse é justamente o objetivo do curso: formar lideranças comunitárias, estudantes e profissionais de diferentes setores para que possam disseminar as noções básicas de energia solar solidária em seus locais de atuação, entre os trabalhadores e nos bairros, explica Hamilton Rocha, coordenador-executivo da Rede Paulista de Bancos Comunitários. A ideia é aumentar a conscientização popular sobre “o que é a energia solar e mostrar as vantagens econômicas e ambientais da energia fotovoltaica nas comunidades. É um começo, nós estamos criando a semente desse movimento.”
Neste curso um dos diferenciais foi a mobilização de oito campi do Instituto Federal SP: Diadema, Franco da Rocha, Jaçanã, Carapicuíba, Osasco, Mauá, Diadema e Cotia, além da contribuição do laboratório de Energia Solar Fotovoltaica, no IFSP de Guarulhos.
“Isso não seria possível sem a participação, o apoio, a colaboração carinhosa dos professores do Instituto Federal, da instituição Instituto Federal, que ajudou a gente o tempo todo com infraestrutura para viabilizar o curso, os transportes, as salas de aula. Isso daí foi muito importante. E também a quantidade de pessoas de vários territórios que foram mobilizadas para participar”, diz Hamilton.

Lucia Scott Franco de Camargo Ouazzi Collet, diretora-geral do IFSP Campus Cotia, afirma que essa foi uma oportunidade muito interessante para início do campus (em implantação) porque eles têm um foco em sustentabilidade. “Esse curso une a sustentabilidade social com a sustentabilidade ambiental. Então, a gente traz já esse foco e traz alunos já interessados para conhecer o campus e também para ter uma formação muito importante para a comunidade local.” E essa parceria com a Rede Paulista de Bancos Comunitários é importante para “trazer para a população a possibilidade de conseguir trabalhar com as energias renováveis e de formar núcleos cooperativos dentro das comunidades.”

O advogado Denisar Roberto Diniz da Silva auxilia juridicamente comunidades no bairro do Jaçanã, na zona norte de São Paulo, por onde se inscreveu. A partir do curso está pensando em formas de trabalhar o coletivo na questão de energia fotovoltaica. Ao se juntarem em associações, é possível “uma amortização dos custos e tem a questão ainda do entrosamento da comunidade. Quando você consegue chamar pessoas e fazer com que elas participem desse tipo de projeto, você cria uma amarra social muito maior entre as pessoas, entre a comunidade, você consegue penetrar mais no núcleo social.”

Além das três aulas pela internet, o professor Walmeran Trindade, do Instituto Federal de João Pessoa, na Paraíba, veio a São Paulo especialmente para dar duas aulas presenciais. Ele explica que desta vez o desafio foi diferente, porque agora o objetivo é criar formadores que possam difundir a ideia nas próprias comunidades. Essa interdisciplinaridade entre energia solar, economia solidária e lutas sociais traz um grau de dificuldade maior, “mas que não impede que essas lideranças alcancem esse estágio de conseguir repassar esses conhecimentos, a ser um divulgador, um polinizador – como eu costumo dizer, da temática da transição energética justa e popular.”
Vinícius Pereira Ribeiro Soares atua profissionalmente no mercado de energia solar já há mais de 10 anos. Para ele, compartilhar esses conhecimentos é revolucionário. E trabalhar coletivamente é importantíssimo. “Tratar a energia solar de forma isolada, de forma pontual, não resolve nenhum problema, causa mais problemas. Trabalhar isso de forma coletiva para que as pessoas e as associações tenham acesso a esse conhecimento, que promovam a energia solar, essa sim é a solução dos problemas energéticos que a gente encontra hoje mais sustentáveis.”

Artesã e viveirista, Leidelane Mendes veio através do campus de Franco da Rocha. A partir do curso, ela pôde compreender melhor sobre energia solar solidária e destaca que atuar em coletividade é importante porque se “trabalha com a conscientização de que a mudança para um mundo melhor nunca vai ser individual, porque enquanto um pode pagar por baterias ou por placa, a gente nunca vai alcançar eficiência energética em questão de projeto de país. De forma coletiva, você mostrar para o outro que mesmo com baixa renda, ele se unindo com mais 20 ou 30 pessoas de baixa renda, é possível também nós contribuirmos com essa nova realidade, que é trazer energia mais limpa e de fato, assim, eu não falo “salvar o planeta”, mas a gente ter possibilidades de poder viver aqui neste lugar daqui a 30 anos, porque do jeito que está, as nossas possibilidades de viver bem, viver com bem-estar, são muito pequenas.”

Visitas extraclasse
Além das aulas online e presenciais, desta vez os alunos puderam fazer duas visitas externas: uma empresa ligada ao setor – a Solar Group, em Santana do Parnaíba, que produz estruturas de fixação de painéis fotovoltaicos, e o laboratório de Energia Solar Fotovoltaica, no IFSP campus Guarulhos, ambos na Grande São Paulo.

Na fábrica os alunos acompanharam o passo-a-passo da fabricação das peças de alumínio, desde o alumínio em barra, na forma bruta, até o encaixotamento dos produtos, passando pelo estoque e despacho das mercadorias. Também conheceram as etapas de trabalho manual e as peças manufaturadas automaticamente por modernos robôs.

A gestora de marketing da Solar, Deise Somayama, explica que o setor solar continua em crescimento, embora os percentuais não sejam como nos anos anteriores. Um dos atuais desafios é principalmente na parte de profissionalização. “No começo, como a demanda era muito alta, muita gente entrava no mercado. Agora a gente tá entrando num processo de triagem. Somente os bons profissionais é que realmente se mantêm ativos no setor solar.” Deise acha que a ideia da Rede Paulista de Bancos Comunitários de expandir a energia solar solidária é algo que poderia ter uma boa expansão e “até para trazer mais acessibilidade nas áreas que muitas vezes, vamos dizer assim, os projetos grandes não chegam. Para a gente, então, é uma honra contribuir com informação nesse tipo de trabalho que vocês estão fazendo.”

Os alunos também visitaram o laboratório de Energia Solar Fotovoltaica, no IFSP campus Guarulhos, onde puderam ver de perto um sistema funcionando, diferentes tipos de placas, os aparelhos que controlam os painéis, as formas adequadas de fixação em cada tipo de telhado, testaram aparelhos de medição e tiveram informações valiosas com o professor Marcelo Shibuya e auxiliares.

O professor explica que o setor de energia solar é uma disciplina bastante profunda, complexa e ampla. “É um campo que está se abrindo bastante. A gente precisa entender de módulos fotovoltaicos, inversores, entender o sol, onde ele nasce, se põe e a forma de aproveitar a energia solar.” Em relação ao objetivo de estimular a energia coletiva, solidária, pode ajudar principalmente porque uma proposta de energia solar individual costuma ser cara. “Quando você faz coletivamente, você consegue fazer com uma potência um pouquinho menor, mas que vai conseguir é abastecer todo mundo”, complementa.
Ao final do curso, o empreendedor Cleiton Ferreira de Oliveira, que veio através do campus Jaçanã, entendeu que a energia solar, se vista de forma individual, torna-se cara e para poucos. Mas trabalhando coletivamente, através de cooperativas ou associações, e com conscientização popular, torna-se economicamente viável. Então, o objetivo agora é espalhar a informação. “Acho que o pessoal não tem muito conhecimento de energia solar, todo mundo tem a visão de que é caríssimo, não sabem como funciona. Eu acho que a gente vai tentar multiplicar isso daí, de que existe outro caminho. Eu acho que as pessoas se unindo fica mais em conta, fica mais tranquilo pra poder adquirir. Eu acho que no coletivo sai mais acessível.”

A fluminense Juliana Garcia, da cidade de São Gonçalo, veio do Rio de Janeiro especialmente para o curso. Ela trabalha em comunidades com o tema da energia solar há cinco anos, mas encontra muita dificuldade de viabilizar os projetos. “Quando a gente tomou conhecimento que existia aqui em São Paulo um movimento de finanças solidárias ligado ao solar, isso deu um “match” muito importante e é por isso que a gente tá aqui hoje, nessa capacitação.”

Voltando para o Rio, ela pretende atuar em três frentes: “tentar viabilizar dois empreendimentos que a gente já sabe que têm interesse de fazer uma usina por meio da coletividade. Uma é uma associação de agricultores familiares e a outra é uma cooperativa de catadores.” Ela diz que existem projetos, mas na hora de viabilizá-los, existem barreiras econômicas. “E hoje a gente tá aqui para tentar entender e levar essa tecnologia das finanças solidárias, dos fundos solidários, pro nosso território.”
Assista à reportagem sobre o curso no Instagram:
https://www.instagram.com/redepaulistabcds/reel/DblcxRisVsL/
Ou aqui:


Parabéns Hamilton e todos os participantes dessa iniciativa. A Rede Paulista de Bancos Comunitarios está transformando sonhos em realidade através da Energia Solar Fotovoltaica, uma forma de energia limpa e acessível a todos. Foi um prazer e privilégio poder contribuir com essa maravilhosa iniciativa!