Encontro deu início à criação da Associação Rede Paulista dos Bancos Comunitários de Desenvolvimento

Os seis Bancos Comunitários presentes decidiram realizar campanhas de adesão aos Bancos Comunitários a partir de diálogo nas comunidades. Para isso fizeram campanhas de divulgação da moeda social eletrônica e dos bancos comunitários, explicando as vantagens sobre os bancos comerciais. Também participaram do evento, movimentos que se interessaram em criar novos bancos, movimentos de moradia e outros movimentos populares e sociais, além de estudantes e pesquisadores do tema.
O encontro foi realizado virtualmente nos dias 29 e 30 de junho e 1 e 2 de julho de 2020, em plena pandemia e isolamento obrigatório. Mais de 100 pessoas se inscreveram, entre participantes e convidados palestrante, representando 20 Municípios do Estado de SP e 06 de outros Estados (CE, DF, RJ, ES, RN). A reunião foi uma retomada das ações dos Bancos Comunitários no Estado de São Paulo para reconstruir uma ferramenta de luta na área das finanças solidárias e, como principais resoluções, os participantes resolveram criar e fortalecer os fundos rotativos e o uso das moedas sociais.

APRESENTAÇÃO DA NOVA PLATAFORMA E-DINHEIRO
Os organizadores do encontro apresentaram a nova proposta para a Web da Rede Brasileira de Bancos e a capacitação da nova versão da “Plataforma e-dinheiro”, com as novas funcionalidades, serviços oferecidos, oportunidades e sustentabilidade dos bancos via plataforma.
CAMPANHA DE ADESÃO AO E-DINHEIRO E ORGANIZAÇÃO DA REDE
No encontro foi apresentada a proposta de uma campanha de captação de clientes do e- dinheiro para fortalecimento dos Bancos Comunitários existentes e criação de novos e foi sugerida a organização da Rede Paulista de Bancos Comunitários.
Também ficou definida a criação de uma comissão executiva que trabalhará para estruturar o trabalho nas comunidades dos Bancos existentes, assim como estruturar a Rede Paulista de Bancos Comunitários para a execução de projetos de formação, promoção do uso de moedas sociais e criação de novos Bancos Comunitários.

Atuar nos territórios
Como estratégia para atuar nos territórios decidiu-se:
1 – organizar ações de compras coletivas para garantir alimentos para todos, a preços compatíveis com o bolso do trabalhador;
2 – ações de ajuda social que reforcem a segurança alimentar e a geração de projetos produtivos e de serviços para criação de postos de trabalho, renda que gerem benefícios e bem-estar para as próprias comunidades;
3 – Impulsionar a formação de novas profissões na comunidade, seja para acesso ao trabalho formal nas empresas, seja para formação de empresas cooperativas que ofereçam produtos e serviços para a sociedade e
4 – impulsionar na própria comunidade a formação de profissionais na área de gestão financeira e de empreendimentos solidários e cooperativos para fortalecer os bancos comunitários e estabelecer empresas produtivas que visem o bem-estar, e não o lucro.
As principais resoluções do encontro:
- Fortalecer os Bancos Comunitários de Desenvolvimento (BCDs) buscando sua sustentabilidade baseada na obtenção das taxas provindas do uso do e-dinheiro (1% de algumas atividades financeiras) e da criação de fundos rotativos criados pela própria comunidade.
- Promover a filiação aos BCDs e à moeda social eletrônica e-dinheiro realizando uma ampla campanha de divulgação, visando a aproximação das comunidades aos bancos.
- Impulsionar atividades de formação aos agentes financeiros, sobre o uso da moeda eletrônica e sobre a gestão das contas bancárias no e-dinheiro, além de formação sobre sistemas de créditos coletivos como fundos rotativos, cooperativas de crédito, entre outros.
- Realizar parceria com organizações do movimento sindical como a CUT, sindicato dos Bancários de São Paulo e dos movimentos de Economia Solidário como o Fórum Paulista da Economia Solidária e Associação da Rede Estadual de Fundos Rotativos Solidários para buscar a articulação entre os vários sistemas de financiamento e crédito coletivo.
- Dirigir-se aos gestores públicos que pleiteiam cargos legislativos e executivos nas próximas eleições propondo a discussão sobre os Bancos Comunitários e sua a inclusão como agentes pagadores de benefícios sociais, como a Renda Básica Universal, como instrumento de fortalecimento da economia local nos territórios aonde atuam.
Para conseguir estes objetivos tão interessantes e importantes para os bancos, foi aprovada a campanha de filiação/adesão ao e-dinheiro nos bairros durante 12 meses com:
- Capacitação dos colaboradores do banco, sobre a funcionalidade do e-dinheiro junto à equipe do Instituto e-dinheiro Brasil.
- Reuniões com membros da comunidade para organizarem a campanha no bairro e criar um grupo permanente de colaboradores, discutindo a importância do Banco Comunitário na Comunidade.
- Cada Banco deve criar uma lista de contatos telefônicos e de “amigos” nas redes sociais, de moradores, comércios e empreendimentos, para realizar campanha inicial de captação de “leads” (dados de simpatizantes).
- Realizar ações de marketing no WhatsApp, no Facebook e Instagram para iniciar campanha e criar interesse. Confecção de “cards” para serem “viralizados” nestas redes;
- Realizar visitas aos comércios;
- Realizar campanhas de filiação aproveitando as atividades das associações mantedoras dos bancos, como campanhas de doações (alimentos e agasalhos), cursos de formação, celebrações comunitárias, etc.
- confecção de cartazes impressos e adesivos para serem colocados nos comércios, indicando aceitarem o e-dinheiro.
- Divulgação em redes sociais e na porta dos bancos e dos estabelecimentos que aceitam o e-dinheiro.
- Confecção de uma cartilha simples explicando o que é o e-dinheiro e suas vantagens para a comunidade.
- Organização de plantões nos bancos para orientarem o uso do e-dinheiro e ajudar nos pagamentos de boletos pelo e-dinheiro no celular.
- Articulação junto ao Instituto E-dinheiro Brasil para agilizar as aberturas de contas, os serviços de atualização de saldos das contas e o pagamento das comissões.
- Produção de vídeos curtos explicando a funcionalidade do e-dinheiro e suas vantagens.
- Produção de vídeos curtos com as lideranças dos bancos, convidando a comunidade a aderirem ao e-dinheiro.
- Produção de vídeo com moradores explicando como melhoraram de vida a partir do Banco Comunitário, a Moeda Social e o e-dinheiro.
Os bancos comunitários podem ser um instrumento importante de organização popular, resistência e de fomento econômico e neste sentido o Encontro Paulista recomenda aos bancos desenvolver atividades tais como:
- Impulsionar ações de compras coletivas para garantir alimentos a preços compatíveis com o bolso do trabalhador;
- Colaborar com ações de ajudas sociais que reforcem a segurança alimentar e a geração de projetos produtivos e de serviços para criação de postos de trabalho, renda que gerem benefícios e bem estar para as próprias comunidades;
- Impulsionar a formação de novas profissões na comunidade, seja para acesso ao trabalho formal nas empresas, seja para formação de empresas cooperativas que ofereçam produtos e serviços para a sociedade.
- Impulsionar na própria comunidade a formação de profissionais na área de gestão financeira e de empreendimentos solidários e cooperativos para fortalecer os bancos comunitários e estabelecer empresas produtivas que visem o bem estar e não o lucro.


