Através dos cursos, diversos grupos tomaram iniciativas para construir tecnologias sociais ligadas aos bancos comunitários

Flávia Assis – Professora e pesquisadora do mundo do trabalho
Professora de história e pesquisadora do mundo do trabalho, Flávia Assis destaca que “os bancos comunitários fortalecem os territórios e conseguem empoderar as mulheres porque tudo isso gera recurso na comunidade, gera renda na comunidade e potencializa os empreendimentos de economia solidária.” Além disso, ela ressalta que a moeda social criada pelos bancos comunitários “circula no território e a riqueza fica no território. Bem diferente dos bancos comerciais que estão por aí (…) que cobram juros enormes, deixam as pessoas dependentes dos bancos.”
De acordo com Hamilton Rocha, da coordenação-executiva da Rede Paulista de Bancos Comunitários, entidade responsável pelo curso, a economia e as finanças solidárias são um sistema de troca e de produção alternativos e opostos ao sistema capitalista e que só pode se desenvolver completamente com a abolição completa do capitalismo. O curso mostrou quais são as principais ferramentas de organização da população nos territórios e quais os principais questões para a criação de negócios e estruturas organizativas e financeiras.
As aulas tiveram como objetivo “capacitar os participantes com as ferramentas, articulações e tecnologias sociais necessárias para construir um Banco Comunitário em seu território, desenvolvendo as habilidades e potencialidades criadas a partir dos conhecimentos transmitidos e compartilhados ao longo dos módulos apresentados.”

E os resultados surgiram rapidamente. Através do curso, diversos grupos tomaram iniciativas para construir tecnologias sociais ligadas aos bancos comunitários, como foram os exemplos do Fundo Rotativo na cidade de Timóteo (Minas Gerais), Peruíbe, no litoral paulista e Viela da Paz (no bairro do Butantã, na cidade de São Paulo).
A terceira e a quarta edições do Curso de Capacitação para Bancos Comunitários foram realizadas simultaneamente entre maio e dezembro de 2022. As aulas foram às quartas e quintas-feiras à noite de maneira remota. Cada curso deve cerca de 30 inscritos e média de participação de 25 alunos cada.
No curso, participaram pessoas e grupo de São Paulo (SP), Carapicuíba (SP), Catanduva (SP), Itanhaém (SP), Peruíbe (SP), Santa Bárbara (SP), São Bernardo do Campo (SP), São José do Rio Preto (SP), Belo Horizonte (MG), Contagem (MG), Governador Valadares (MG), Timóteo (MG), Rio de janeiro (RJ), Nova Friburgo (RJ), Volta Redonda (RJ), Florianópolis (SC), Ibirama (SC), Londrina (PR), Salvador (BA) e Belém (PA).

Esta presença distribuída em grande e pequenas cidades mostra a importância que tem esta ferramenta para a resistência das comunidades em situação de vulnerabilidade social. Após esta edição os grupos receberam apoio da Rede Paulista para a continuidade de seus projetos com resultados distintos em função do engajamento ou compreensão da proposta, complementou Hamilton Rocha.


