Realizados nos dias 8 e 9 de dezembro de 2022, os encontros reuniram quase 200 participantes para fortalecer finanças solidárias
Ao analisar a importância de iniciativas que vão contra o neoliberalismo, o ex-deputado federal do PT/SP, José Genoíno destaca que essa experiência de implementação dos bancos comunitários é “uma maneira concreta de viabilizar o poder para enfrentar a ordem econômica, que se baseia numa alternativa que se fundamenta na soberania de homens e mulheres, de forças sociais que buscam uma contestação radical da essência do sistema capitalista.”

Ele considera que trata-se de uma “forma de organização social, uma forma de organização política alternativa, que eu acho que esse é o dado importante do ponto de vista da militância política, quer dizer: é uma alternativa econômica. (…) é uma maneira de organizar a base da sociedade, dos mais necessitados.”
José Genoíno foi um dos convidados do 3º Encontro Paulista de Bancos Comunitários e do 1º Encontro Mineiro de Bancos Comunitários, que reuniu lideranças populares e sociais, pesquisadores e representantes de iniciativas de finanças solidárias de São Paulo, Minas e outras regiões do país. O evento contou com 267 inscritos e 186 participantes, consolidando-se como um importante espaço de articulação para a expansão dos bancos comunitários e dos fundos rotativos solidários.
O encontro teve como principal objetivo promover a troca de experiências entre grupos e movimentos que buscam criar Bancos Comunitários de forma autônoma, democrática e independente do Estado, de empresas, igrejas ou outras instituições. A proposta central foi fortalecer a articulação entre iniciativas locais para ampliar a criação de Fundos Rotativos Solidários, considerados a base para a implantação de bancos comunitários em bairros e cidades.

Hamilton Rocha, da coordenação-executiva da Rede Paulista de Bancos Comunitários explica que os banco comunitários não são uma grande força econômica, são pequenos em termos financeiros, são embrionários, mas a semente do banco comunitário guarda uma característica muito importante que é o enfrentamento ao capital financeiro, à especulação financeira do capitalismo. “A outra luta que eu acho muito importante é o despertar nas comunidade que conseguem montar um banco comunitário, do auto-governo, de auto-gestão, e isso é uma experiência extremamente importante da gente realizar nesse momento.”
A programação incluiu trocas de experiências entre bancos comunitários e associações, atividades de formação e assessoria apresentadas pela Rede Paulista de Bancos Comunitários, com temas como capacitação para bancos comunitários, assessoria técnico-financeira, apoio para participação em editais, orientação jurídica e contábil, estratégias de comunicação e desenvolvimento de negócios coletivos.

No segundo dia do encontro, o economista e professor da PUC/SP, Ladislau Dowbor, explicou que em países como por exemplo, Canadá, França, Alemanha, Suécia, China e Vietnã, “eles têm sistemas muito capilares de acesso ao financiamento de proximidade, porque é no nível local que as pessoas sabem o que é que é necessário”. Trata-se, na realidade, de resgatar a utilidade social do dinheiro. Hoje, essencialmente, ele é drenado para o sistema financeiro e especuladores. Por isso o professor considera que alternativas como bancos comunitários e moedas sociais são importantes para as comunidades mais pobres.
O encontro também contou com apresentações de experiências de grupos pró-bancos comunitários e fundos rotativos solidários, além da discussão de um projeto de energia solar nas comunidades e suas possíveis formas de financiamento.
Representantes da Rede Brasileira de Bancos Comunitários enviaram saudações ao encontro, entre eles Marivaldo do Vale, do Banco Comunitário Tupinambá (Mosqueiro-PA), e Joaquim Melo, do Banco Comunitário Palmas (Fortaleza-CE), referências históricas do movimento no país.

Ao final do evento, os participantes discutiram encaminhamentos para a organização da Rede Mineira de Bancos Comunitários, reforçando o compromisso de ampliar iniciativas de finanças solidárias como estratégia de desenvolvimento comunitário e fortalecimento da economia local.
Íntegra dos encontros:


